A exportação brasileira de carne bovina dá sinais de recuperação

São mil cabeças de gado na fazenda de Fernando Vilela, em Marília (SP). A exportação caiu pela metade desde o início do ano. Uma parte da produção foi absorvida pelo mercado interno, mas cerca de 30% dos animais continuam no pasto. Vilela diz que teve que começar a reduzir custos por conta da queda do faturamento. Nesse cenário, o mercado internacional se apresenta como uma saída para o criador.

Em abril deste ano, a exportação de carne bovina processada e in natura alcançou 135.587 toneladas.

Já em maio, o Brasil exportou 183 mil toneladas, 50 mil toneladas a mais que no mês anterior.

O faturamento foi superior a US$ 3 bilhões com a venda de carne bovina para o exterior nos cinco primeiros meses do ano, uma alta de 23% em relação ao período de janeiro a maio do ano passado.

A China foi responsável pela compra de quase 60% da carne brasileira destinada à exportação.

O economista Reinaldo Cafeo encara a retomada desse mercado como uma boa notícia. Ele diz que a demanda vem crescendo e isso, combinado à alta do dólar e à boa avaliação que a carne nacional tem, pode ser a salvação do setor durante a pandemia.

A cotação da arroba do boi chegou a R$ 205 na primeira semana de junho, uma alta de 37% em comparação ao mesmo período do ano passado.

O dado é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da Universidade de São Paulo (USP).

Mas o setor ainda enfrenta outro desafio: a falta de chuva. O período seco chegou mais cedo e, assim, o pasto deixa de oferecer todos os nutrientes necessários para a engorda do boi.

O baixo volume de chuva em abril e maio fez com que alguns produtores do centro-oeste de São Paulo antecipassem o confinamento, que normalmente só começa em julho.

O veterinário Rodolfo Cláudio Spers aconselha todo criador a fazer contas. Ele lembra que, mesmo diante de um preço atraente da arroba, é preciso avaliar se os gastos com a matériaprima para engoda estão permitindo que haja lucro.

O Rabobank, maior banco de agronegócio do mundo, afirma que o câmbio e a oferta tem garantido a competitividade da carne bovina brasileira no mercado internacional.

Neste momento, a proteína é uma das mais baratas do junto com concorrentes: Estados Unidos, Argentina e Austrália.

Wagner Yanaguizawa, analista do Rabobank, comentou a respeito do cenário vivido por cada um destes países no mercado em meio a pandemia da Covid-19 e explicou a competitividade atual do Brasil.

"Neste cenário de Covid-19, peste suína africana (PSA) e expectativa de redução do Produto Interno Bruto (PIB) de muitos países, o Brasil se encontra em uma posição confortável em relação à oferta de animais comparado à essas 3 potências na exportação de carne bovina. Os impactos quanto ao novo coronavírus não tem afetado tanto o Brasil no mercado, porém, vale destacar que cada um destes países enfrentam cenário distintos", comenta Yanaguizawa.

Para ele, o Brasil vive uma situação similar à Argentina, mas menos impactante.

Depois do pico de preço que alcançado em 2019, com o aumento no volume de exportação para a China, a inflação e a desvalorização do real frente ao dólar neste ano levou os preços a patamares competitivos.

Com isso, de acordo com o analista da Rabobank, quando a questão tratada é competitividade de oferta, o Brasil está em posição privilegiada frente a outros países.

"Temos visto que a produção de uma forma geral no Brasil tem sido bastante guiada pela demanda, não só pela demanda internacional chinesa mas principalmente pela queda da demanda doméstica. Desde o final de março, houve uma recuperação principalmente por conta da China, porém, a nossa demanda doméstica, por conta do coronavírus, acabou caindo mais e trouxe bastante desestímulos principalmente no cenário de custo de produção elevado", comenta Wagner.

Segundo o analista, neste segundo semestre há previsão de uma sazonalidade de produção ligeiramente maior que a do primeiro semestre do ano, assim como uma melhora nas exportações em relação à China

Fonte: O Sul

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