A Expointer, a crise e o Estado

O lançamento da edição 2012 da Expointer não decepcionou quem esperava muita pompa. Até manobras circenses fizeram parte do espetáculo, uma ironia não proposital sobre os malabarismos que o produtor gaúcho faz junto às instituições de crédito oficial neste tempo de crise e estiagem. E este ponto deve ser observado com atenção pelas autoridades, para que a Expointer não seja somente um belo espetáculo, mas um marco da capacidade de superação do campo. Apesar do “otimismo” dos agentes de governo, é forçoso reconhecer que a estiagem afetou drasticamente o desempenho da economia gaúcha como um todo, e, ainda agora, seus efeitos persistem. A seca do verão persistiu ao longo do Outono, e neste inverno falta água para irrigar as lavouras de arroz. O presidente da Farsul, Carlos Sperotto, imprimiu um pouco de realismo no entusiasmado governamental: Sim, a Expointer de 2012 pode ser um sucesso, a depender de como o Estado pretende agir na crise.

No tipo de capitalismo praticado no Brasil, o Estado exerce papel importante como regulador do mercado. Gostemos ou não, é o governo o “monstro Leviatã” de Thomas Hobbes, que dispõe dos instrumentos para agir em situações de crise. Em 2008, quando a vítima era a indústria, o governo federal reagiu com um pacote de bondades que incluía até mesmo renúncia de receita com redução do IPI – mecanismo em uso novamente neste 2012. É inegável que o agronegócio, em função da estiagem, vive cenário semelhante, onde é necessária forte articulação pela renegociação das dívidas do setor com o governo federal. Impõe-se um alongamento dos prazos de pagamento e renegociação, sem o que será impossível acessar novos financiamentos para a produção, menos ainda para a aquisição de máquinas e implementos agrícolas. Fazer novos empréstimos nas antigas condições, num cenário em que a estiagem ameaça se estender, é puro suicídio econômico. É importante estar atento aos ventos que emanam de Brasília, antes de abrir as porteiras do Parque Assis Brasil em Esteio. E esperamos, sinceramente, que os únicos malabarismos sejam mesmo os da cerimônia de lançamento do evento.

Fonte: Jornal do Comércio | Tarso Francisco Pires Teixeira | Vice-presidente da Farsul

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