A excelência estratégica e social da Embrapa (Artigo)

Em recente visita ao Brasil, o ministro do Comércio e Indústria da Indonésia, Gita Wirjawar, revelou que tinha duas grandes referências de nosso país, o futebol de Pelé e a qualidade do trabalho empreendido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, a Embrapa. Vindo de uma autoridade estrangeira – e de um país que é um grande importador de alimentos -, trata-se de importante reconhecimento. E que, infelizmente, é raro no próprio Brasil.

A Embrapa tem enorme importância estratégica e social. Sua atuação tem sido preponderante na área de produção de alimentos, graças às suas pesquisas para o progresso da agricultura e da pecuária brasileiras. Criada em 1973, a instituição cresceu e hoje atua com um sistema composto de 38 Centros de Pesquisa, três serviços e 11 unidades centrais, estando presente em quase todos os estados da Federação. São cerca de 10 mil empregados, dos quais 2.392 são pesquisadores, e um orçamento anual R$ 2 bilhões.

O trabalho desenvolvido pela Embrapa mudou a agricultura e a pecuária no Brasil. Os números mostram que a oferta de carne de frango aumentou 22 vezes e a de bovina e suína foi multiplicada por quatro entre 1975 e 2009. Nos cerrados, o sistema produtivo tornou a região responsável por 67,8 milhões de toneladas, ou seja, 48,5% da produção do Brasil (2008). A soja foi adaptada às condições brasileiras e hoje o país é o segundo produtor mundial. Além disso, programas de pesquisa específicos conseguiram organizar tecnologias e sistemas de produção para aumentar a eficiência da AGRICULTURA FAMILIAR e incorporar pequenos produtores no agronegócio, garantindo melhoria na sua renda e bem-estar.

Entre as ações que podem ser identificadas e que fizeram a carne de frango brasileira ser cada vez mais reconhecida e apreciada pelos consumidores internacionais por sua qualidade e sanidade está o trabalho realizado pela Embrapa Suínos e Aves, localizada em Concórdia (SC). A instituição, que surgiu com a missão de propor soluções tecnológicas para as cadeias produtivas de suínos e aves do Brasil, tem também reconhecimento internacional.

Seus pesquisadores e analistas são responsáveis pelo aporte de tecnologias adequadas às condições brasileiras, tornando-se um fator decisivo para manter a competitividade e o crescimento da avicultura. Entre os trabalhos que elaborou, encontram-se o desenvolvimento de linhagens comerciais de aves, de antígenos para testes laboratoriais e de inúmeras práticas de manejo sanitário e produtivo. E também a elaboração de uma tabela de composição e alimentos para as aves e de diversos métodos de diagnósticos de doenças aviárias.

É importante frisar o reconhecimento da Embrapa no exterior. Na área de cooperação internacional, são 78 acordos bilaterais com 56 países e 89 instituições estrangeiras, principalmente na área agrícola, envolvendo sobretudo a pesquisa em parceria e a transferência de tecnologia. Dentro desse esforço, foram estabelecidas parcerias com laboratórios nos Estados Unidos e na Europa (França, Alemanha e Inglaterra) para o desenvolvimento de pesquisas em tecnologias de ponta. Esses Laboratórios no Exterior (Labex"s) contam com as bases físicas do Serviço de Pesquisa Agrícola (ARS) dos Estados Unidos, em Washington, da Agrópolis, em Montpellier, na França; e do Instituto de Pesquisas de Rothamsted, na Inglaterra.

Podemos citar ainda o Labex-Coreia, em Seul, na Coreia do Sul, e acrescentar o Labex China, que será instalado a partir de julho. Essas iniciativas têm permitido o acesso de pesquisadores da Embrapa, e desses outros países, às mais altas tecnologias em áreas como recursos naturais, biotecnologia, informática, agricultura de precisão etc.

A qualificação do material produzido pela instituição permite ainda a transferência de tecnologia para países em desenvolvimento (Cooperação Sul-Sul), destacando-se a abertura de projetos da Embrapa no continente africano, em Gana, no continente sul-americano, com a Embrapa Venezuela, e na América Central e Caribe (Embrapa Américas, no Panamá).

Todo esse trabalho mostra a competitividade de uma instituição de excelência que tem em seus quadros um time de pesquisadores e especialistas, o que permite a disseminação de tecnologias e inovações para atender às mais diversas solicitações e demandas, visando ao desenvolvimento agropecuário. E, por extensão, ao desenvolvimento econômico e social de várias regiões do Brasil.

Fonte:  CORREIO BRAZILIENSE – DF

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