CMN garante a manutenção de R$ 9 bi na oferta de crédito rural

O Conselho Monetário Nacional (CMN) decidiu ontem manter por mais um ano a parcela de 30% dos depósitos à vista e de 70% da caderneta de poupança rural destinada a prover o financiamento para o setor agropecuário. Isso deverá garantir a manutenção de R$ 9 bilhões na oferta de crédito agrícola. O CMN alterou também os preços mínimos das culturas de inverno. O preço do trigo melhorador e durum foi corrigido em 15,63%, o maior reajuste concedido.

Em outubro do ano passado, o governo decidiu ampliar de 65% para 70% o percentual de direcionamento obrigatório para o setor rural do total de depósitos da poupança rural. Foi uma estratégia para aumentar a oferta de crédito agrícola em um momento de restrição de empréstimos para o setor rural, provocado também pelo recuo das tradings no financiamento agrícola. Naquele momento, o governo também decidiu elevar de 25% para 30% o total dos depósitos à vista que deveriam ser aplicados no crédito agrícola.

Esses aumentos de percentuais da exigibilidade bancária deveriam valer somente até o final de junho deste ano. A decisão tomada ontem pelo CMN prorroga por mais um ano os índices de direcionamento das captações para a sustentação do crédito agrícola. Haverá retração dos percentuais somente a partir de julho de 2010, mas de maneira gradual. Estão previstos desde já cinco cortes de um ponto percentual a cada ano, até que sejam retomados os patamares de exigibilidade existentes no período anterior à crise financeira mundial.

O diretor da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Gilson Bittencourt, explica que as instituições financeiras já estavam restringindo o total de crédito rural baseado na exigibilidade porque previam a necessidade de retomar os percentuais mais baixos do direcionamento obrigatório a partir de julho deste ano.

Na prática, esse movimento tinha o potencial de contrair a oferta de crédito rural, e foi por isso que o CMN decidiu estender o prazo de vigência dos índices mais elevados da exigibilidade, de forma a garantir recursos para o financiamento da comercialização da atual safra, do plantio da safra de inverno e o custeio da safra 2010/2011. O Plano Safra 2009/10 deve receber até 25% mais em crédito oficial em relação à safra atual. A estimativa do vice-presidente de Agronegócios do Banco do Brasil deve ser confirmada apenas em maio, mas Luís Carlos Guedes Pinto acredita que o valor deve ficar entre R$ 93,6 bilhões e R$ 97,5 bilhões. Nesta safra que termina em junho o governo viabilizou R$ 78 bilhões order rimonabant online em crédito rural.

Outra medida de estímulo à produção foi o reajuste dos preços mínimos das culturas de inverno. O valor para a tonelada do trigo melhorador e durum subiu 15,63%, ou seja, de R$ 480 para R$ 555 por tonelada. O trigo classe pão teve reajuste de 10,42%, subindo de R$ 480 para R$ 530 por tonelada. Já para o trigo brando o reajuste prescription drugs without prescription foi bem menor de 5,54%, elevando o preço mínimo de R$ 417 para R$ 441 por tonelada. Bittencourt explica que essa é a fórmula encontrada pelo governo para estimular a produção de trigo de melhor qualidade, do qual ainda são necessárias importações para suprir o mercado interno.

Ao longo do tempo, a ideia é acabar com o preço mínimo do trigo brando, disse Bittencourt, sem estabelecer prazos. Foram também definidos reajustes dos preços mínimos para a aveia, cevada, triticale, girassol, cevada e canola. O limite do crédito para o custeio do trigo irrigado subiu de R$ 550 mil para R$ 600 mil por produtor e, no caso de lavouras sem irrigação, de R$ 400 mil para R$ 450 mil por produtor. Foi elevado de R$ 15 milhões para R$ 20 milhões o limite de crédito nas operações de Financiamento para Aquisição de Café (FAC).

O CMN aprovou ainda voto para ampliar as fontes de recursos destinados ao pagamento de até 40% das prestações com vencimento em 2008 das operações vinculadas a programas de investimento agropecuário na região Centro-Oeste com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Parcela de R$ 80 milhões será obtida com recursos da poupança rural, sobre a qual valerá um fator de ponderação de 1,3 sobre os recursos de exigibilidade, alavancando o potencial de empréstimos em 30%. O CMN mudou também parâmetros do repasse de recursos para produtores de gado de corte, milho, feijão, arroz, trigo e mandioca atendidos pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), elevando em 30% a renda bruta máxima para os beneficiados. Veja a seguir as novas resoluções.

RESOLUÇÕES DE 26 MARÇO DE 2009

BANCO CENTRAL DO BRASIL

 Clique no título da resolução para abrí-la

 

RESOLUCAO 3.692 

Dispõe    sobre   a   captação    de
depósitos  a  prazo,  com   garantia
especial  proporcionada  pelo  Fundo
Garantidor de Créditos (FGC).       
 

Define  a  Taxa de Juros de  Longo
Prazo   (TJLP)  para   o   segundo
trimestre de 2009.  

RESOLUCAO 3.699

Dispõe  sobre  a  linha  de  crédito
destinada  a estocagem de  café,  ao
amparo  de  recursos  do  Fundo   de
Defesa    da    Economia    Cafeeira
(Funcafé).    

 RESOLUCAO 3.700

Dispõe  sobre limite de crédito  nas
operações  de  custeio para  lavoura
de trigo.     

 

Consolida  as normas sobre  a  linha
especial  de crédito para  pagamento
de  até  40%  do valor de prestações
de   operações   dos  programas   de
investimento agropecuário no  âmbito
do  BNDES,  de que trata a Resolução
nº   3.639,  de  2008,  autoriza   a
inclusão  da  poupança  rural   como
fonte suplementar de recursos  e  dá
outras providências.

 
 
Altera  os  prazos para renegociação
das  operações de crédito rural,  no
âmbito  da Lei nº 11.775, de  17  de
setembro de 2008.
 

Altera  normas do Programa  Nacional
de   Fortalecimento  da  Agricultura
Familiar (Pronaf).

 RESOLUCAO 3.705

 Dispõe    sobre    percentuais    da
exigibilidade   de   aplicação    em
crédito rural de que trata o MCR  6-
4   e  do  encaixe  obrigatório   da
poupança rural, a partir do  período
de   cumprimento  de  julho/2009   a
junho/2010.   

Dispõe    sobre    percentuais    da
exigibilidade   de   aplicação    em
crédito rural de que trata o MCR  6-
2,    a   partir   do   período   de
cumprimento    de    julho/2009    a
junho/2010.     

Fonte: Gazeta Mercantil/Finanças & Mercados – Pág. 10 e Banco Central do Brasil

 

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *