3corações amplia mercados e receitas no país

Silvia Costanti/Valor
Pedro Lima, presidente da 3corações: lucro aplicado na expansão da empresa

Cenário de grandes transformações nos últimos anos, o grupo 3corações, tradicional processador de café do país, elevou em quase 250% seu faturamento nos últimos sete anos e deve continuar a crescer em 2013. A projeção é alcançar uma receita de R$ 2,4 bilhões, 7% mais que no ano passado, graças ao aumento de vendas, principalmente no Sul e Sudeste.

A companhia, que produz café torrado e moído e exporta grão verde, vai entrar em uma nova categoria de mercado, ainda no segundo semestre, que poderá representar entre 5% e 10% de sua receita total em cerca de cinco anos, de acordo com Pedro Lima, presidente da empresa.

As mudanças no grupo geraram um salto significativo de suas receitas, principalmente a partir de 2005 (ver quadro), ano da concretização da joint venture entre a São Miguel Holding, da família Lima, e a israelense Strauss, que detinha a marca 3corações desde o ano 2000. A união deu origem ao grupo 3corações.

Um pouco da história da companhia dá uma dimensão das mudanças pelas quais passou. A família Lima começou no segmento de café com a comercialização de café verde no Rio Grande do Norte, em 1959. Depois, a empresa fundada por João Alves de Lima, pai de Pedro Lima, evoluiu para uma pequena torrefação. Contrariando os conselhos da mãe, Pedro abandonou o curso de agronomia e, em 1984, assumiu com os irmãos a empresa, que passou a se chamar Santa Clara.

Em 1996, a Santa Clara incorporou a marca Café Kimimo e, em 1999, foi criada a São Miguel Holding. No início dos anos 2000, a Santa Clara já era líder nas regiões Norte e Nordeste. Mas os Lima queriam alçar voos mais altos e constituir uma marca nacional. O avanço para o Sudeste começou em 2003 por meio da aquisição da marca Pimpinela, do Rio de Janeiro. Em 2005, a joint venture com a Strauss significou a incorporação da marca 3corações.

Os investimentos para crescer não pararam por aí. Em 2009, o grupo comprou o Café Letícia e os refrescos em pó Frisco e Tornado. Dois anos mais tarde, adquiriu o café Fino Grão, de Minas Gerais.

Pedro Lima conta que, quando a empresa Santa Clara veio para São Paulo, em 2006, tinha menos de 1% de participação no mercado de café da Grande São Paulo, fatia que subiu para 17,3% em 2012, segundo a Nielsen. Em todo o país, a participação da 3corações foi de 20,4% no ano passado ante 12,3% em 2007.

A estratégia da companhia nesses anos tem sido reinvestir os lucros em expansão e marketing, de acordo com o presidente da 3corações. Um projeto que visa a garantir um crescimento ainda maior para a companhia está virando realidade: o lançamento de uma linha de cápsulas de café, que começará a ser comercializada a partir de agosto.

Orçado em cerca de R$ 100 milhões para os próximos dois a três anos, o projeto começou a ser desenvolvido há quatro anos. "Este é um dos projetos mais desafiadores, mais complexos", diz Lima.

Os blends de café são em sua maioria 100% de grãos arábica – apenas dois levam o robusta – e toda matéria-prima é brasileira. Para participar do mercado de cápsulas, o grupo fez uma joint venture com a empresa italiana Caffita, que vai produzir as cápsulas enquanto a fábrica brasileira não estiver pronta. A previsão, segundo Lima, é que a unidade esteja em operação entre 2014 e 2015, provavelmente em Minas Gerais. A Caffita também fornecerá os três tipos de máquinas residenciais e para escritórios.

Inicialmente, a 3corações lançará 16 tipos de cápsulas com o nome Tres, desde café expresso, filtrado, cappuccino, café com leite, chocolate e chás. Foram avaliadas cerca de 300 amostras de café para se chegar aos blends, conforme Lauro Araújo Ré, engenheiro de processos de café da 3corações.

A intenção do grupo é levar o produto também ao cliente da classe C, enfatiza Lima. O lançamento ocorre em São Paulo, Minas e Ceará, onde fica a sede do grupo, e depois será levado ao resto do país. A 3corações atende hoje mais de 90 mil clientes no país.

Na segunda etapa do projeto das cápsulas, também há planos de fazer blends com cafés de outros países, adaptados ao paladar brasileiro.

Atualmente a 3corações adquire de produtores e cooperativas brasileiros cerca de 4 milhões de sacas de café por ano.

Desde o início da década passada, a empresa também exporta café verde para mais de 30 países. Segundo Pedro Lima, o objetivo da operação é conhecer as tendências do setor e melhorar a qualidade da matéria-prima que é adquirida pelo grupo. Atualmente, as vendas externas representam 15% do faturamento total.

A 3corações também planeja exportar café torrado e moído e instantâneo. "Estamos definindo como vamos chegar a esse mercado, pode ter oportunidade de aquisição ou joint venture", declara Lima. Hoje o grupo embarca apenas um pequeno volume para os EUA, com parceria com distribuidor local.

No Brasil, comercializa as marcas 3corações, Santa Clara, Kimimo, Pimpinela, entre outras. Também vende refrescos, derivados de milho, temperos e achocolatados.

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Fonte: Valor | Por Carine Ferreira | De São Paulo

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