.........

Zilor lucrou e reduziu dívida no ciclo 2016/17

.........

Os ventos favoráveis às usinas sucroalcooleiras do Centro-Sul na safra 2016/17, com preços mais elevados principalmente para o açúcar, permitiu ao grupo Zilor, de Lençóis Paulista (SP), reforçar seu caixa e reduzir o peso de seu endividamento no ciclo. O grupo tem três unidades de processamento de cana em São Paulo e um negócio de fermentação.

Embora as usinas da Zilor sejam mais voltadas à produção do biocombustível, a companhia, associada à Copersucar, buscou direcionar uma parte maior da cana para a produção de açúcar, o que contribuiu para turbinar o crescimento de sua receita. Do caldo de cana obtido com a moagem de 11,341 milhões de toneladas em suas usinas, 38% foi direcionado à commodity, e a meta para a temporada 2017/18 é elevar a fabricação de açúcar.

Com essa estratégia, a Zilor aumentou sua receita líquida em 11%, para R$ 2 bilhões. Apenas a receita com as vendas de açúcar cresceu 57%, para R$ 813,9 milhões. Esse aumento mais do que compensou a redução do volume vendido de etanol e dos ganhos da Biorigin, unidade de negócio voltada à fabricação de ingredientes de nutrição animal e humana.

Segundo José Carlos Morelli, diretor administrativo e de relações com acionistas da Zilor, como cerca de 90% das vendas da Biorigin são para o exterior, a unidade "sofreu forte pressão do câmbio", já que no ano passado o real se apreciou ante o dólar.

Apesar desse efeito negativo, a companhia ampliou a produção da Biorigin, o que se tornou possível depois de um investimento de R$ 221,5 milhões para duplicar a capacidade da fábrica. A aposta foi fruto da expectativa de avanço da demanda por insumos para alimentação humana, como fermentos e produtos para reduzir a concentração de sódio. "O nosso apelo é a matéria-prima de cana, enquanto os concorrentes usam sintéticos", explicou Morelli. No entanto, ele descarta novos aportes nesse segmento no médio prazo.

Além do aumento da receita, o executivo afirmou que também houve um esforço para "reestruturar custos operacionais" e outras despesas, que permitiram dobrar o lucro operacional para R$ 297,4 milhões e elevar o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) em 39,2%, para R$ 550,2 milhões.

Dessa forma, a Zilor encerrou a safra 2016/17 com lucro líquido de R$ 167,4 milhões. O resultado do ciclo anterior, porém, foi reapresentado para adaptação de uma mudança das normas contábeis, e o lucro de R$ 33,4 milhões que havia sido reportado na safra anterior transformou-se em prejuízo de R$ 29,5 milhões.

A empresa aproveitou os ganhos para reduzir o peso das dívidas de curto prazo (com vencimento em até 12 meses), que passou a representar apenas 6,7% do total, enquanto um ano atrás representavam mais de um terço.

Embora o endividamento bruto da Zilor tenha aumentado para R$ 1,9 bilhão, a dívida líquida recuou para R$ 1,4 bilhão. Com a melhora da situação de caixa, a alavancagem da empresa caiu de 3,8 vezes no fim da safra 2015/16 para 2,5 vezes no fim do último ciclo.

Para a safra em curso, em que os preços do açúcar e do etanol já não estão favoráveis, a diretriz é fazer ajustes internos. "Já reduzimos custos da operação na safra passada e vamos intensificar nesta", disse Moisés Barbosa, gerente contábil da Zilor.

Fonte: Valor | Por Camila Souza Ramos | De São Paulo