Yara costura fusão com americana CF

Claudio Belli/Valor
Jørgen Ole Haslestad, atual CEO da Yara International: segundo a empresa, negociações ainda estão em estágio inicial

A Yara International, empresa norueguesa de fertilizantes, negocia com a "rival" americana CF Industries uma fusão entre iguais. Se concretizado, o negócio criará uma das maiores companhias globais do segmento.

Ambas são produtoras destacadas de fertilizantes à base de nitrogênio, nutriente essencial para as culturas agrícolas. A fusão resultaria na maior produtora mundial nessa frente – o mercado de nitrogênio movimenta US$ 100 bilhões por ano -, com um valor de mercado de US$ 27 bilhões.

Segundo a Yara, as conversações ainda estão em estágio inicial "e não há garantias de que essas discussões resultarão na realização de qualquer transação".

Um possível acordo poderá aprofundar a concentração de capital no segmento. Esse mercado passou a ser foco de atenção após a crise mundial de alimentos de 2007-2008, quando os preços deram um salto, juntamente com o valor dos mercados agrícolas.

Os preços dos nutrientes para as lavouras vieram abaixo durante a crise financeira, mas, nos últimos anos, o segmento assistiu a algumas das batalhas mais acirradas por fusões e aquisições, principalmente na área da potassa, ou carbonato de potássio.

"O negócio criará, de longe, a maior produtora mundial de nitrogênio. As empresas têm muito pouca sobreposição na produção, portanto as economias se dariam, principalmente, na área de logística", disse Tim Cheyne, da consultoria Integer Research, de Londres.

Uma transação com a CF dará à Yara presença na América do Norte, onde suas operações são mínimas. A Yara e a CF entraram em conflito, quatro anos atrás, pelo controle da Terra, outra empresa de fertilizante a base de nitrogênio. Na ocasião, a CF venceu.

Os EUA viram, desde então, a revolução do xisto reduzir drasticamente os custos assumidos pelas produtoras de nitrogênio, fabricado a partir do gás natural. As margens da CF estão entre as melhores do ramos, mas a empresa opera pouco fora da América do Norte.

Num momento em que analistas apontam perspectivas de queda das margens de lucro para as produtoras da região nos próximos anos, tendo em vista a entrada em produção de novas operações e da alta dos custos, a Yara daria à CF acesso a uma rede mundial.

O principal acionista da Yara é o governo norueguês, que, em conjunto com o fundo de investimento do Estado, controla 41% do capital da multinacional.

As conversações para essa fusão ampliaram a lista de notícias envolvendo estatais norueguesas importantes. A Cermaq, grande produtora de salmão em cativeiro, atraiu uma oferta de compra de US$ 1,4 bilhão da japonesa Mitsubishi, enquanto o grupo imobiliário Entra está na fila para lançar ações. Especula-se, ainda, que a petroleira Statoil quer diluir o controle do governo em seu capital.

A Yara enfrenta, nos últimos anos, um processo a partir de suspeitas de corrupção que lhe rendeu a aplicação de uma multa de 295 milhões de coroas norueguesas (US$ 47 milhões), enquanto seu ex-principal executivo, Thorleif Enger, responde a acusações penais. Enger nega as denúncias.

A empresa também está no meio da troca de seu principal executivo. Svein Richard Brandtzaeg, diretor da Norsk Hydro – da qual a Yara foi desmembrada, há cerca de uma década – deve assumir o cargo em fevereiro.

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Fonte: Valor | Por Emiko Terazono e Richard Milne | Financial Times, de Londres e Oslo