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Volta à pauta pressão dos EUA por abertura ao trigo

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Os Estados Unidos continuam tentando obter melhor acesso para exportar trigo ao Brasil, e o tema deve voltar à pauta durante a reunião sobre a carne bovina in natura brasileira que o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, terá na segunda-feira, em Washington, acreditam fontes que conhecem os interesses dos dois parceiros.

Blairo vai aos EUA encontrar-se com o secretário americano de Agricultura, Sonny Perdue, com uma agenda centralizada na suspensão da carne bovina in natura do Brasil. Ele espera "vontade política" do governo de Donald Trump para pôr fim a esse embargo.

As autoridades brasileiras argumentam que houve inconformidade, mas não risco sanitário, no produto bloqueado pelos nos EUA. Também dizem que o Brasil, por sua vez, encontrou inconformidade em 60% da carne americana exportada ao mercado brasileiro entre janeiro e maio, desde rótulo, embalagem, apresentação do produto. Mas nem por isso o país suspendeu a importação.

"Essa carne foi rechaçada de volta, mas o Brasil não suspendeu o produto americano", disse o secretário-executivo do Ministério da Agricultura, Eumar Novacki, esperando que os Estados Unidos liberem a carne brasileira.

Além da questão da carne bovina in natura, a agenda de Blairo Maggi nos EUA deve crescer, com as explicações que terá de dar agora sobre o "mensalinho" pago pela JBS a cerca de 200 fiscais agropecuários para flexibilizar a aplicação de regras sanitárias. Mas quem conhece a agenda americana sabe que, sem dúvida, autoridades do país vão colocar na mesa de discussão a cobrança sobre sua demanda para vender trigo ao Brasil.

Primeiramente, os EUA tinham pedido ao Brasil uma quota de 750 mil toneladas com tarifa baixa, que é um antigo compromisso brasileiro nunca concretizado.

Diante da recusa brasileira, os EUA voltaram à carga pedindo acesso livre a seu trigo no Brasil, com tarifa zero, no período entre fevereiro e setembro. O Brasil de novo recusou, mas ofereceu reduzir a tarifa consolidada de 55% para 37,9% na importação de trigo, o que, de toda forma, não facilitaria a venda do produto americano.

Washington parece focar agora o interesse em obter acesso para exportar trigo para o Nordeste com alíquota zero e também por um determinado período do ano.

Uma nova rodada de negociações bilaterais sobre o trigo vai ocorrer no dia 24 de julho, por videoconferência. Mas a expectativa é de que na próxima segunda-feira as autoridades americanas já levantem a questão com o ministro da Agricultura. "A esta altura, vão aumentar as pressões e as cobranças", disse uma fonte brasileira, reagindo ao desdobramento de problemas envolvendo a carne no país, incluindo a delação dos controladores da JBS.

  • Por Assis Moreira | De Genebra
  • Fonte : Valor