Vendas domésticas voltam a ficar abaixo das expectativas

As vendas de máquinas agrícolas confirmaram as expectativas e perderam um pouco mais de força no país em setembro. Segundo divulgou ontem a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos automotores (Anfavea), alcançaram 4.358 unidades, 10,2% menos que em setembro de 2016, e justificaram o cenário mais pessimista traçado pela entidade para o ano. O crescimento de 7,7% em relação a agosto não pode ser considerado um sinal de reversão dessa tendência mais negativa porque os dois primeiros meses deste segundo semestre já haviam se mostrado mais fracos que o esperado pelas empresas do segmento.

De janeiro a setembro, as vendas, que incluem tratores de rodas, tratores de esteiras, cultivadores motorizados, colheitadeiras de grãos, colhedoras de cana e também uma parcela pequena de retroescavadeiras (máquinas rodoviárias) somaram 33.594 unidades, 8,5% mais que em igual período do ano passado. No mês passado, a Anfavea reduziu sua previsão para as vendas em 2017 em 2,8 mil unidades, para 46,7 mil. O número ainda é 6,9% superior ao de 2016, mas sugere novas "derrapagens" nos próximos meses.

Como já informou o Valor a partir de entrevistas com executivos de montadoras que atuam no país, esse pequeno avanço em 2017 após dois anos de vendas retraídas se deve à queda de preços de algumas culturas importantes no campo brasileiro, particularmente soja e milho. Com estimativas de rentabilidades menores nesta safra 2017/18, muitos produtores decidiram adiar a modernização de suas frotas. Depois da forte reação das vendas no segundo semestre de 2016, a Anfavea inicialmente previa aumento de 13% nas vendas de máquinas este ano.

Por Fernando Lopes | De São Paulo

Fonte : Valor