Vendas de máquinas continuam em baixa, e demissões crescem

As vendas de máquinas agrícolas contrariaram as expectativas e registraram mais uma forte queda em julho, a maior dos últimos meses. Dados divulgados ontem pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) mostram que foram comercializadas no país 4.007 unidades no mês, 9,1% menos que em junho e total 37,5% inferior de julho do ano passado.

Ainda que não contassem com uma recuperação expressiva, as empresas do segmento acreditavam que o início da liberação de recursos do Plano Safra 2015/16 pudesse estimular a demanda. Mas, conforme Ana Helena Correa de Andrade, vice-presidente da Anfavea responsável pela área de máquinas, a operacionalização das linhas com as novas condições estabelecidas pelo governo foi concluída apenas em meados do mês, contendo qualquer reação.

Mas as perspectivas até dezembro continuam moderadamente positivas. Nos primeiros sete meses do ano, as vendas recuaram 27,2% sobre igual intervalo de 2014, para 28.694 unidades, e a Anfavea ainda sustenta que a queda acumulada no ano será da ordem de 20%. Mesmo com a confiança em baixa no agronegócio, o câmbio tem ajudado os produtores das cadeias exportadoras e deverá haver expansão de área plantada na safra de grãos que começará a ser semeada em setembro, o que sempre anima fornecedores de insumos.

Mais difícil, aparentemente, será ampliar as exportações, sobretudo porque a demanda argentina, fundamental para a balança do segmento, segue retraída. Em julho, as vendas ao exterior somaram apenas 843 unidades, com baixas de 23,4% em relação a junho e de 35,7% na comparação com julho de 2014. Nos primeiros sete meses deste ano, foram 6.195 unidades, 21,3% abaixo de igual intervalo do ano passado.

As reduções das vendas continua a afetar a produção e a gerar demissões. Ainda que em julho a produção tenha crescido 41,6% em relação ao mês anterior – que foi muito fraco por conta da proliferação de férias coletivas e "lay offs" -, para 5.119 unidades, o patamar é 27,7% mais baixo que o de julho de 2014. Resultado: o segmento fechou o mês passado com 16.542 postos de trabalho, 19% menos que há um ano.

Por Fernando Lopes | De São Paulo
Fonte : Valor