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Venda de imóvel é última etapa de falência do Mappin

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Está se encaminhando para o fim, depois de quase duas décadas de tramitação, o processo de falência da loja de departamentos Mappin – a maior do país nos anos 90. Parte do edifício onde funcionava uma das unidades mais famosas da rede, na Avenida Juscelino Kubitschek, em São Paulo, foi colocada a leilão. O imóvel é o último bem disponível e também um dos mais valiosos.

Com o valor da venda serão liquidadas as dívidas trabalhistas, pagos os débitos fiscais e parte dos credores quirografários (que não têm garantias). O que está à venda é um quinhão de 30% do edifício – porcentagem detida pela massa falida. O outros 70% pertencem à empresa Gazit Brasil. Foram adquiridos, principalmente, de fundos de pensão que haviam comprado frações do imóvel na época de sua construção.

O leilão eletrônico foi aberto na sexta-feira. Até o começo da tarde de ontem estava valendo como lance mínimo o valor de avaliação, R$ 135 milhões. Como não houve oferta, o lance mínimo passou automaticamente, a partir das 14h30, para R$ 81 milhões – 60% do valor original.

"Quando os imóveis estão avaliados pelo valor de mercado geralmente eles acabam indo para a segunda praça. É algo comum nos leilões. Não quer dizer que não há interessados no imóvel", diz Ana Paula Faro, representante jurídica da empresa Faro Leilões, responsável pela venda. As ofertas poderão ser feitas até o dia 17 de abril pelo site da site da empresa. No último dia haverá, paralelamente, um leilão presencial.

Como uma fatia do imóvel já pertence a uma outra empresa, ela terá preferência para a compra dos 30% restantes. Para isso, terá de cobrir a oferta mais alta com o valor simbólico de R$ 0,10.

Síndico da massa falida, o advogado Nelson Carmona afirma que o próximo passo, após a venda do imóvel, será encerrar a falência. Ele diz que essa era a última pendência do processo. "Só não foi encerrado ainda por causa desse bem. A regularização [devido ao fatiamento do imóvel] demorou dez anos", acrescenta.

Até agora, segundo Carmona, foram pagos 80% dos trabalhistas – que representam cerca de R$ 50 milhões – e créditos extraconcursais. Além da quantia que será arrecadada com a venda do prédio, há outros cerca de R$ 100 milhões em caixa. Carmona reconhece, no entanto, que mesmo somados os valores será praticamente impossível que todos os credores recebam. Ainda faltam ser pagos R$ 314 milhões.

  • Por Joice Bacelo | De São Paulo
  • Fonte : Valor