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Venda de defensivos segue em alta no Brasil

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As vendas de defensivos agrícolas continuam a crescer no Brasil, mas a intensidade de uso se manteve praticamente estável nos últimos anos – ao contrário do que faz supor a alcunha de "campeão mundial no uso de agrotóxicos".

Entre 2007 e 2012, o volume de defensivos (considerando apenas o princípio ativo) aplicado nas lavouras cresceu 14%, para 346,6 mil toneladas no ano passado, segundo o Sindag, entidade que representa as fabricantes. No mesmo período, a área total plantada no país cresceu 14,4%, para 70,3 milhões de hectares, segundo o IBGE.

Na média, portanto, o consumo de agrotóxicos caiu 0,4% entre 2007 e 2012, de 4,94 quilos para 4,92 quilos por hectare, embora o número tenha oscilado sem tendência clara ao longo do período.

Outra medida de eficiência no uso de agrotóxicos é a relação entre a quantidade aplicada e o volume de produto agrícola colhido. Nesse caso, os ganhos parecem um pouco mais concretos.

No ano passado foram utilizadas, em média, 380 gramas de agrotóxicos por tonelada de produto, uma redução de 5,2% em relação a 2007. No período, a produção agrícola brasileira cresceu cerca de 20%, para 908,6 milhões de toneladas (considerando lavouras perenes e temporárias).

Se não se pode dizer que haja um aumento indiscriminado na aplicação de agrotóxicos no país, os números também mostram que a adoção dos transgênicos – tecnologia que promete reduzir o uso de defensivos – até agora não cumpriu seu papel.

De acordo com a consultoria Céleres, as lavouras transgênicas de soja e milho (culturas que respondem por quase 60% da receita da indústria de defensivos no Brasil) praticamente triplicaram de tamanho nos últimos cinco anos e, na última safra, ocuparam 36,6 milhões de hectares – mais da metade de toda a área cultivada no país. Em 2012, quase 90% da soja e mais de dois terços do milho plantados no Brasil eram geneticamente modificados.

O caso do milho é o que mais chama a atenção, porque a tecnologia embarcada nas sementes transgênicas (Bt) visa a tornar as plantas resistentes ao ataque de insetos. Mesmo assim, as vendas de inseticidas no Brasil cresceram quase 34% entre 2007 e 2012.

No caso da soja, a tecnologia hegemônica é a Roundup Ready (desenvolvida pela Monsanto), que torna a planta resistente ao glifosato – em veneno capaz de matar todos os tipos ervas daninhas. Assim, o produtores que optam pela tecnologia podem substituir o uso de um grupo de herbicidas específicos por um único produto. Mesmo assim, o uso de herbicidas cresceu mais de 13,3% desde 2007.

Críticos da transgenia afirmam que o uso intensivo da tecnologia cria problemas de resistência e outros desequilíbrios na natureza, o que exige a aplicação de doses adicionais de agrotóxicos. Essa seria a causa da crise gerada pelo ataque de lagartas na Bahia na última safra.

O Brasil é o segundo maior mercado de defensivos agrícolas do mundo em valor de mercado – atrás apenas dos Estados Unidos. No ano passado, as vendas atingiram US$ 9,7 bilhões, um aumento de 14,4% ante o ano anterior. Desde 2007, a receita da indústria acumula um crescimento de mais de 80%, de acordo com informações do Sindag.

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Fonte: Valor | Por Gerson Freitas Jr. | De São Paulo