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VEÍCULOS – Agronegócio ‘segura’ perdas de montadoras

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Picapes e SUVs têm crescido ano a ano na preferência dos produtores rurais

Picapes e SUVs têm crescido ano a ano na preferência dos produtores rurais

Picapes e SUVs não são exatamente equipamentos agrícolas, mas também têm venda impactada pelo resultado da safra ao longo dos anos, garantem representantes de montadoras e concessionárias presentes na 40ª Expointer. O agronegócio, setor da economia que teve menor retração nos anos de crise, teria, portanto, ajudado as montadoras a sofrer um pouco menos no segmento de comerciais leves, que inclui esses modelos.

Para este segmento, a queda foi de 38,1% na comparação dos primeiros semestres de 2013 e 2017, segundo dados de emplacamento da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Já a retração no segmento de automóveis foi de 42,3% no mesmo período. Além disso, a venda de comerciais leves chegou a crescer 8,4% logo após a safra recorde de grãos brasileira 2013/2014, na contramão dos números gerais.

Vladimir Centurião, diretor comercial da Toyota no Brasil, garante que a venda tem subido ano a ano para o comprador do meio rural. "Não vemos nenhum problema. O setor de picapes e SUVs está muito bem, principalmente no agronegócio", afirmou ele, que participou de coletiva de imprensa organizada pela montadora em Esteio, na última segunda-feira, dia 28. A meta é comercializar 210 unidades nesta edição da Expointer, o que representaria alta de 16% em relação a 2016, com cerca de metade da saída para produtores rurais e familiares. Ele também ressalta que a exposição tende a trazer resultados até, pelo menos, três meses depois.

A Expointer também é uma oportunidade para concessionárias mais urbanas, afastadas da produção agrícola, atingirem esse público. A Sinoscar Chevrolet, por exemplo, que tem 10 lojas na Região Metropolitana, Serra e vales do Caí e Paranhana, espera vender 200 carros durante a feira, superando as 167 unidades vendidas na edição passada e com cerca de 60% da saída para agricultores e pecuaristas, público pouco comum no restante do ano. O primeiro fim de semana empolgou: foi 40% melhor em negócios, por conta de um público mais comprador, segundo o gerente de vendas da empresa, Marlo Hermann. "O brasileiro cansou de esperar para trocar, e a safra tem a ver diretamente", avalia.

A iniciativa do setor de ocupar parte significativa do parque Assis Brasil também se deve ao costume do produtor rural de esperar a Expointer para adquirir um carro novo, conta o gerente comercial da Iesa Nissan, Alexandre Barbosa, para quem 60% dos visitantes do estande trabalham no meio rural. "Dois meses antes da feira, para a venda de picapes e SUVs por causa disso", afirma ele. A expectativa é vender 50 veículos do modelo "top de linha" da Frontier até domingo.

JONATHAN HECKLER/JONATHAN HECKLER/JC

Samuel Lima

Fonte : Jornal do Comércio