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Vassoura-de-bruxa, que dizimou plantações nos anos 80, ainda assusta

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A vassoura-de-bruxa, responsável por dizimar grande parte dos cacaueiros do país, ainda preocupa os produtores. Os clones tolerantes ao fungo não são totalmente resistentes ao problema, mas minimizam o prejuízo a cerca de 10% da produtividade quando atacados. Na década de 1980, o Brasil chegou a produzir quase 400 mil toneladas e disputava com a Costa do Marfim, na África, a liderança mundial na produção de cacau. Atualmente, a safra não chega a 200 mil toneladas.

Almir Martins dos Santos, pesquisador do Centro de Pesquisa do Cacau da Ceplac (Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira), afirma que a vassoura-de-bruxa ainda é o grande desafio da cultura. Há 15 anos, foram disponibilizados ao mercado os primeiros clones tolerantes à doença. Entretanto, apenas 30% da área plantada da Bahia, o maior produtor nacional, foi substituída por esses materiais devido à descapitalização e ao endividamento dos agricultores ao longo dos anos.

Hoje o custo de produção do cacau gira em torno de R$ 70 a R$ 75 por arroba, praticamente o mesmo valor recebido pelo produto. Agora, os cacauicultores estão preocupados com as alterações de procedimentos fitossanitários para a importação de cacau, em vigor desde o fim de 2011. O temor é a entrada de pragas e doenças no país. A ocorrência da vassoura-de-bruxa foi considerada um caso criminoso.

A pesquisa tenta desenvolver cultivares resistentes a outras doenças, com maior produtividade e qualidades aromáticas e de sabor, para o cultivo de cacau fino. A produtividade média brasileira ainda é considerada baixa, em torno de 300 a 400 quilos por hectare, abaixo dos 600 quilos registrados na África, a maior região produtora do mundo. Mas os chamados "produtores de elite", segundo Martins dos Santos, conseguem três mil quilos por hectare com o uso maior de fertilizantes, irrigação e variedades adequadas.

A recuperação da produção brasileira de cacau é um dos pleitos da Associação das Indústrias Processadoras de Cacau (AIPC), que representa as cinco multinacionais que atuam no processamento do cacau no país. Walter Tegani, secretário-executivo da entidade, diz que a importação da matéria-prima soma de 50 mil a 60 mil toneladas por ano, para uma capacidade de processamento de 230 mil toneladas, em um mercado que deve crescer nos próximos anos.

Diante da incapacidade brasileira de aumentar a produção da amêndoa, observa o representante, as indústrias estão migrando os investimentos para outros países, como Indonésia e Costa do Marfim. Ainda segundo ele, o governo da Bahia estima que, em dois anos, a colheita no Estado aumente e supra o déficit nacional. Além disso, o Pará também está elevando a produção, com crescimento da ordem de 20% ao ano.

Apesar da euforia com o cacau fino, Tegani alerta que este é um mercado muito pequeno, que não interessa às grandes empresas, além de exigir alto investimento dos produtores. Ao mesmo tempo, confirma que é altamente lucrativo.

A produção brasileira de cacau na safra principal 2011/12 (encerrada em abril desde ano) foi de 183,5 mil toneladas, sendo que a Bahia foi responsável por 132 mil toneladas. A safra temporã, que vai de maio a setembro, deverá totalizar 120 mil toneladas, de acordo com a TH Consultoria e Estudos de Mercado. Thomas Hartmann, da TH, diz que as perspectivas para a produção mundial não são animadoras. A temporada mundial 2010/11, que terminou em setembro do ano passado, de 4 milhões de toneladas, foi recorde em função do clima favorável. "Esse recorde histórico dificilmente vai se repetir", conclui. (CF)

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Fonte: Valor | Por De São Paulo