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Variação cambial tirou Minerva Foods do azul

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A depreciação do real ante o dólar afetou o resultado da Minerva Foods, segunda maior exportadora de carne bovina do Brasil, no segundo trimestre. Entre abril e junho, a companhia registrou prejuízo líquido de R$ 55,6 milhões. No mesmo intervalo do ano passado, houve lucro de R$ 89 milhões.

Não fosse a variação cambial de cerca de R$ 140 milhões, a Minerva teria lucrado quase R$ 70 milhões no segundo trimestre, disse o diretor financeiro da empresa, Edison Ticle.

Segundo ele, o prejuízo não tem efeito sobre o caixa da Minerva porque se refere ao aumento do valor – em reais – da dívida da empresa em moeda estrangeira. No segundo trimestre, o dólar (ptax) subiu 4,4%, passando de R$ 3,16 para R$ 3,30. Como a maior parte do passivo só vencerá no longo prazo, não existe desembolso.

Do ponto de vista operacional, a Minerva teve "expressivo" crescimento, disse Ticle. No segundo trimestre, a receita líquida totalizou R$ 2,579 bilhões, 16,1% mais que em igual período de 2016. Na mesma base de comparação, o volume vendido pela companhia cresceu 10,2%, para 148,7 mil toneladas.

O crescimento da Minerva, que ampliou os abates em 5,8%, ocorreu mesmo em um período turbulento. Em abril, os frigoríficos brasileiros estavam sob pressão da Operação Carne Fraca da Polícia Federal, que gerou embargos à carne nacional e derrubou os embarques do país.

Mas a retração dos abates da JBS – tanto em decorrência da Carne Fraca quanto em razão da delação dos irmãos Batista, em maio – favoreceu a Minerva, que ampliou seu nível de utilização de capacidade de 65% para 70% ao longo do trimestre. As exportações da Minerva, que também incluem a carne produzida no Paraguai, no Uruguai e na Colômbia, aumentaram 4,1% nesse intervalo.

A maior oferta de bois para abate também favoreceu a empresa. "Nossos modelos indicam a virada do ciclo e vai ter ampliação da oferta em 2018 e 2019", projetou Ticle. Nesse cenário, a Minerva reabriu, em julho, a unidade de Mirassol D’Oeste (MT). Para retomar os abates, precisou investir e injetar capital de giro. Diante disso, a Minerva teve um fluxo de caixa negativo de R$ 231,7 milhões.

De acordo com Ticle, os investimentos para ampliar os abates, os US$ 350 milhões captados para adquirir os ativos da JBS no Mercosul e a valorização do dólar contribuíram para elevar o índice de alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda em doze meses), de 3,8 vezes em março a 4,1 vezes em junho, mas o executivo vê oportunidades "significativas" de desalavancagem.

Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

Fonte : Valor