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Vanguarda Agro terá fundo de terras

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Fonte: Valor | Por Gerson Freitas Jr. | De Santiago (Chile)

Davilym Dourado/ValorOtaviano Pivetta quer chegar a 500 mil hectares em cinco anos: "Ainda temos muito espaço para crescer no Brasil"

A Vanguarda Agro, empresa formada recentemente após a incorporação da Vanguarda do Brasil pela Brasil Ecodiesel, já se organiza para viabilizar um ambicioso plano de expansão. De acordo com Otaviano Pivetta, maior acionista individual da companhia, o objetivo é plantar 500 mil hectares de soja, milho e algodão em até cinco anos. Em 2011, estima Pivetta, o grupo deverá cultivar cerca de 280 mil hectares.

O objetivo, sinaliza o empresário, é adquirir novas terras em áreas de pastagens em Mato Grosso e em novas fronteiras agrícolas do Norte e Nordeste, como Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia. Para isso, a Vanguarda Agro terá de atrair novos investidores. "A empresa não tem caixa para comprar novas terras. Por isso, vamos criar um fundo de terras até o ano que vem e abrir 49% para investidores de fora", revela. De acordo com ele, as terras já pertencentes à empresa deverão ser alocadas para o fundo, que vai permanecer na estrutura da Vanguarda Agro.

Pivetta conta que seu principal papel na nova companhia é prospectar novos negócios. E, para ele, o mercado de terras agrícolas está inflacionado e requer cautela na hora de investir. No Estado de Mato Grosso, nas áreas consolidadas – onde o solo já está preparado para a agricultura – o preço de aquisição de terra pode oscilar de 300 sacas e 400 sacas por hectare. "Qualquer investidor quer um retorno real de 4% a 5% ao ano. Na média, isso representa 15 sacas por hectare ao ano só para remunerar esse agente, o que é complicado do ponto de vista do equilibrio financeiro", afirma.

Por outro lado, Pivetta estima que só Mato Grosso ainda dispõe de mais de 5 milhões de hectares em pastagens degradadas que podem ser ocupados com a agricultura – atualmente, o Estado planta algo próximo de 10 milhões de hectares. "Ainda temos muito espaço para crescer no Brasil", entusiasma-se. Até por isso, afirma, o grupo não tem qualquer intenção de investir em terras fora do país.

O produtor reforçou que o foco da Vanguarda Agro daqui para frente será a produção agrícola. E que o biodiesel – principal atividade da Brasil Ecodiesel – ficou em segundo plano devido às margens de lucro apertadas. Na semana passada, o grupo vendeu à Camera Alimentos suas duas plantas de biodiesel no Rio Grande do Sul, que estavam desativadas. Segundo ele, as cinco unidades restantes, localizadas nas regiões Norte e Nordeste, também podem vir a ser negociadas "se, eventualmente, surgir um bom negócio".

Pivetta, um ex-caminhoneiro gaúcho que migrou para Mato Grosso no início dos anos 1980, tornou-se um dos maiores produtores rurais do país na última década. "Fui sozinho de 50 hectares para 120 mil hectares", lembra. Em 2004, decidiu formalizar seu negócio, que passou a se chamar Vanguarda do Brasil. Em 2007, negociou a venda de 10% da empresa para o UBS Pactual, com vistas a uma abertura de capital, abortada durante a crise de 2008. Em setembro, a Vanguarda foi incorporada pela Brasil Ecodiesel, controlada pelos fundos do investidor espanhol Enrique Bañuelos e pelo empresário brasileiro Silvio Tini, que travaram uma batalha por discordarem sobre o negócio de R$ 1,1 bilhão.

Pivetta (27%) e Bañuelos (22%) ficaram como maiores acionistas da Vanguarda Agro. Hélio Seibel, dono da Leo Madeiras, sócio da Leroy Merlin e um dos maiores acionistas da Duratex, detém 8% e Silvio Tini, 7%. Outros 36% estão em circulação no mercado. Até quinta-feira, a Vanguarda tinha um valor de mercado de R$ 1,46 bilhão e um faturamento estimado próximo de R$ 1,5 bilhão.

O produtor diz que está à vontade no novo papel, de acionista e conselheiro. "É um mundo novo, ainda estou me situando, mas estou muito entusiasmado e tranquilo com a governança que se estabeleceu na nova estrutura de capital. Me preparei para isso, para levar minha empresa ao mercado e perenizar meu legado", afirma Pivetta.

Ele garante que o clima entre os principais investidores é de "harmonia" e que as disputas entre Tini e Bañuelos "se ocorreram, ficaram para trás". Ele diz que se encontra quinzenalmente com Bañuelos, a quem chama de "craque", geralmente em São Paulo, e que a parceria entre eles terá vida longa. "Meu acerto com ele é de longo prazo. Ele acredita no negócio", afirma.

O jornalista viajou a convite da Bayer CropScience