Vaivém – Venda de colheitadeiras cai 15% no ano, prevê fabricante

Peças de colheitadeiras em fábrica da montadora Case, em Sorcocaba (SP)

Peças de colheitadeiras em fábrica da montadora Case, em Sorcocaba (SP)

A indústria de máquinas agrícolas viveu um período difícil em 2015, e as perspectivas para este ano também não são animadoras.

E isso ocorre não só no Brasil mas também no Paraguai, na Bolívia e no Uruguai. A exceção fica para a Argentina, cujas vendas deverão crescer de 10% a 15%.

É nesse cenário que, após quatro anos de pesquisas e investimentos de US$ 40 milhões, a Case IH coloca no mercado quatro novos modelos de colheitadeiras de grãos.

Após o período de ouro para o setor, o que ocorreu há três anos, a empresa não esperava encontrar um cenário tão desfavorável.

A linha de montagem de colheitadeiras, em Sorocaba (SP), tem capacidade para a produção de 20 unidades por dia, mas está produzindo apenas cinco.

Mirco Romagnoli, vice-presidente para a América Latina, diz que a empresa está mais bem preparada neste ano do que em 2015, quando não se esperava uma queda tão acentuada nas vendas. A redução foi de 39%, no setor, em relação a 2014. Neste ano, os estoques estão mais controlados e enxutos.

Mas Cesar Di Luca, diretor comercial, ainda vê alguns pontos positivos. Este é um período de queda nos preços externos das commodities, de custos internos (como os da logística) ainda elevados e de consequente redução de margem dos produtores.

Com isso, há uma pressão dos custos e a necessidade de uma redução dos gastos dos produtores. E é esse o objetivo dos novos modelos que chegam ao mercado, segundo ele.

Di Luca espera que as vendas de colheitadeiras recuem de 13% a 15% neste ano, mas as da Case devem permanecer no mesmo patamar das de 2015.

"A safra é recorde, mas os produtores estão conservadores quando se trata de investimentos", diz.

Com participação de 18% nas vendas do varejo no ano passado, o executivo acredita que esse percentual suba para 20% neste ano no caso da Case.

As novas máquinas vão custar de R$ 600 mil a R$ 950 mil por unidade, dependendo do modelo. Esses novos valores representam alta pelo menos 5% em relação aos da linha anterior.

Roberto Biasotto, gerente de Marketing, acredita que os novos modelos deverão atender aos principais desafios atuais do campo: maior capacidade de colheita e redução de custos.

Na avaliação da empresa, o volume a ser colhido por hora, em toneladas, supera de 4% a 22% o dos modelos anteriores. Já o custo de manutenção recua 17%.

A SAÍDA

Se o setor de colheitadeiras de grãos não vai bem neste ano, o de colhedoras de cana poderá fazer a diferença. Biasotto prevê um crescimento de pelo menos 20% na produção deste ano.

É um segmento com perspectivas melhores do que a dos outros setores, segundo Di Luca. A situação está distante da dos tempos áureos, mas as perspectivas para açúcar e etanol são boas.

Na avaliação do executivo, as perspectivas também são boas no setor de café, mas ficam estáveis no de grãos.

Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pelaFolha, soma mais de 38 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

Fonte : Folha