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Vaivém: Taxa de exportação sobre grãos leva custos a produtor

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Em tempos de crise, uma das tentações dos governos é engordar a arrecadação com novos tributos.

Um dos propulsores da balança comercial do país, o agronegócio passa a ser uma área atraente. E isso amedronta os produtores.

A bola da vez são os agricultores de Mato Grosso, onde circula pela Assembleia Legislativa proposta de volta da tributação sobre as exportações de produtos básicos, como soja, milho e algodão.

O exemplo da Argentina nesse campo não foi muito feliz. Houve uma desestruturação da agropecuária do país, que perdeu, inclusive, importância na América do Sul.

O exemplo mais claro é o do trigo, cuja área foi reduzida, a produção caiu e o país deixou de fornecer o cereal ao Brasil, que agora compra dos Estados Unidos.

"É muito preocupante essa postura de alguns deputados de tentar tributar, em parte, a exportação de grãos e de fibras", diz Ricardo Tomczyk, presidente da Aprosoja (Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso).

O agronegócio representa mais de 50% do PIB (Produto Interno Bruto) do Estado, e o retorno do ICMS traria sérias consequências para os produtores do Estado, segundo ele.

Uma delas seria a redução de área de plantio, tendo em vista que Mato Grosso já é vítima de uma logística desfavorável -tanto na saída dos produtos como na importação de insumos- e de elevados custos de produção.

Uma eventual taxação das exportações reduziria a renda dos produtores, principalmente a dos pequenos e médios, que têm escala menor de produção.

O resultado seria uma concentração ainda maior da produção, que passaria para as mãos de grandes produtores ou do capital estrangeiro.

"É um tiro no pé porque o agronegócio tem grande efeito sobre a economia do Estado", diz o presidente da Aprosoja.

A vulnerabilidade do agronegócio diminuiria também as atividades nos setores de serviços, indústria de máquinas e insumos, derrubando a arrecadação e reduzindo empregos, prevê Tomczyk.

Estudo do Imea (Instituto Mato-Grossense de de Economia Agropecuária) indica que, tomando como base uma taxa de 9% nas exportações, os produtores de soja teriam um prejuízo de R$ 437 por hectare na safra 2015/16. No caso do milho, o prejuízo seria de R$ 1.302 e no de algodão, de R$ 769 por hectare.

Fernando Donasci – 13.jul.2005/Folhapress

Lavoura de algodão em Sorriso (MT)

Lavoura de algodão em Sorriso, em Mato Grosso

O estudo do Imea mostra ainda que, com base nas exportações ocorridas em 2014, a taxação de soja, milho e algodão somaria R$ 2,1 bilhões em 2015.

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Novos números A Céleres revisou os números de produção de grãos. A soja, com produtividade média de 3,02 toneladas por hectare, deverá atingir 94,7 milhões de toneladas em 2014/15. O volume supera em 10% o da safra anterior.

Milho A produção de inverno do cereal foi revisada para 48,4 milhões de toneladas, 1,3% maior do que a anterior. Considerando a safra de verão, a produção total do milho deverá atingir 81 milhões de toneladas na safra 2014/15, segundo a Céleres.

Algodão A consultoria estima área de plantio de 933 mil hectares em 2014/15, uma queda de 15% em relação à anterior. Já a produção recua para 1,44 milhão de toneladas de algodão em pluma, 15% menos do que na anterior.

Preços Açúcar e café tiveram queda forte na Bolsa de commodities de Nova York nesta quarta-feira (20). Soja e milho também caíram em Chicago, mas com intensidade menor.

Café Clima mais favorável em algumas áreas de produção, entre elas Colômbia e América Central, puxaram os preços para baixo, segundo analistas de mercado.

Fonte: Folha |

Vaivém das Commodities

Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pelaFolha, soma mais de 38 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.