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Vaivém – Safra recorde de trigo na Argentina pode influenciar plantio no Brasil

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Colheita de trigo no município de Juranda, na Região Centro-Oeste do Paraná.

Colheita de trigo no município de Juranda, no Paraná

O governo argentino anunciou que a safra de trigo do país será recorde e deverá atingir 18,4 milhões de toneladas, 63% mais do que no ano anterior.

Vários analistas do país vizinho não acreditam em um volume tão grande como o anunciado, mas, se confirmado, traz preocupação para os produtores brasileiros.

Na avaliação do governo argentino, uma área acima do previsto inicialmente e produtividade boa vão garantir esse volume projetado.

"Essa não é uma notícia que dá conforto ao produtor nacional", diz Francisco Carlos Simioni, diretor do Deral (Departamento de Economia Rural) do Paraná.

Ainda com boa parcela da safra de 2016 para ser comercializada e há praticamente 30 dias do início do plantio da safra de 2017, uma notícia dessa não estimula muito o produtor brasileiro, segundo ele.

O problema, afirma o diretor do Deral, é que nos últimos dois anos está havendo uma recuperação de safra em todas as principais regiões produtoras: Europa, Estados Unidos, Canadá, Argentina e outras.

O Brasil também está com safra boa, mas há a necessidade de importação de pelo menos 50% dos 11 milhões de toneladas consumidos internamente.

A importação é necessária e o país não pode colocar amarras à entrada do produto argentino. O governo pode, no entanto, adotar mecanismos de proteção ao produtor brasileiro.

Entre eles, estão garantia de preços mínimos, seguro rural com taxas acessíveis, mecanismos de proteção na comercialização e garantia de segregação do produto, afirma Simioni.

Essas medidas são necessárias para que o produtor nacional continue plantando o cereal com tecnologia. Afinal, o mercado é livre, e as indústrias vão continuar buscando o trigo onde ele estiver, sempre levando em conta as vantagens de mercado.

Há uma previsão de plantio de 1,1 milhão de hectares no Paraná nesta safra, mesma área de 2016. Notícias como esta, no entanto, podem levar o produtor a repensar a área, acredita o diretor do Deral.

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Soja – Pelo menos 34% da área de soja já foi colhida, segundo estimativas da Safras & Mercado. No caso da safra de verão de milho, o percentual é de 29%.

Plantio – A consultoria estima, ainda, que 57% da área que será destinada ao milho safrinha já foi semeada. Mato Grosso e Paraná lideram com 73% e 55%, respectivamente

Dirceu Portugal/Folhapress

Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pela Folha, soma 40 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

Fonte : Valor