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Vaivém – Retração da produção de milho derruba PIB agropecuário em 2016

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SERTANEJA, PR, 21.07.2016: AGRICULTURA-MILHO - Lavoura de milho afetada pela geada no norte do Paraná. (Foto: Mauro Zafalon/Follhapress)

Lavoura de milho afetada pela geada no norte do Paraná; produção recuou 26% em 2016

O PIB (Produto Interno Bruto) da agropecuária foi bem no último trimestre do ano passado, com evolução de 1% em relação ao trimestre imediatamente anterior.

No acumulado do ano, no entanto, a agropecuária esteve entre os setores com maiores quedas no ano. A retração do PIB agropecuário foi de 6,6%.

A queda da agropecuária ocorreu devido ao mau desempenho de vários produtos do setor da lavoura, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Queda no volume produzido e na produtividade foram responsáveis por essa contração.

O milho esteve entre as principais quedas, aponta o IBGE. O cereal teve redução de 26% no ano passado.

Outros produtos como a cana-de-açúcar e até a soja também apresentaram produção e produtividade menores.

Já trigo e café, com evoluções de 22% e 16%, respectivamente, tiveram variações positivas no PIB de 2016.

O PIB médio teve queda de 3,6% no período, conforme os dados do IBGE.

Já o desempenho do PIB agropecuário no quarto trimestre de 2016, em relação a igual período de 2015, mostrou desaceleração de 5%.

A queda na produção de fumo, laranja e cana-de-açúcar no último trimestre do ano passado foi fundamental para esse recuo em relação a 2015.

A agropecuária adicionou R$ 295 bilhões ao PIB total no ano passado, cujo valor foi de R$ 6,3 trilhões. Com isso, a participação da agropecuária foi de 5,5%, a maior em 12 anos.

Os produtos que ajudaram a derrubar o PIB da agropecuária no ano passado deverão ser fatores de recuperação neste ano.

A produção de soja já está sendo estimada em até 110 milhões de toneladas neste ano, bem acima dos 95,4 milhões de 2016. A de milho deverá ficar próxima de 98 milhões, ante apenas 66,5 milhões no ano passado.

Se essas estimativas otimistas de algumas consultorias forem confirmadas, esses produtos serão de grande impacto no PIB de 2017.

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Novas estimativas – A consultoria FCStone prevê que a safra de soja de 2016/17 atinja 109 milhões de toneladas. O bom desempenho da safra ocorre devido ao aumento da produtividade para 3,25 toneladas por hectare. Em fevereiro, a previsão era de 104 milhões de toneladas.
Milho – A FCStone também aponta bom desempenho para a safra de milho. A produção de 2016/17 poderá atingir 93,3 milhões de toneladas, com destaque para a safrinha: 61,3 milhões.
Atacado – A inflação dos produtos agropecuários acumula alta de apenas 2,2% em 12 meses, segundo o IGP-DI da FGV. No mês passado, houve deflação de 0,12%. A taxa foi negativa devido às quedas de preços de soja, milho e carne bovina. Ovos, leite e laranja subiram.
Defensivos – A Unidade de Referência em Tecnologia e Segurança na Aplicação de Agrotóxicos fará o primeiro curso voltado a profissionais e empresas do setor agrícola.

Perdas – O mau uso de agrotóxicos gera perdas de R$ 2 bilhões por ano para os agricultores e empresas do setor, segundo Hamilton Ramos, do IAC. A perda vem da baixa qualificação da mão de obra, afirma ele.
Controle de pragas – A programação do curso contempla tecnologias no controle de pragas, doenças e plantas daninhas. O curso ocorre a partir de 27 deste mês no Centro de Engenharia e Automação do IAC, em Jundiaí (SP).

Mauro Zafalon /Follhapress

Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pela Folha, soma 40 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

Fonte : Folha