Vaivém: Renda líquida do produtor dos EUA cai 6%

A desaceleração nos preços das commodities agrícolas começam a fazer efeito na renda dos agricultores nos principais países produtores.

Os norte-americanos, líderes em soja e milho, deverão ter uma renda líquida de US$ 123 bilhões neste ano, 6% menos do que em 2013.

Os dados são do Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) e mostram, ainda, que esse valor ficará 8,5% inferior aos US$ 134,4 bilhões de 2012, quando houve quebra de safra e redução de estoques.

Naquele ano, a soja atingiu o recorde de US$ 17 por bushel (27,2 kg); e o milho, US$ 8,31 por bushel (25,4 kg).

Mauro Zafalon/Folhapress

Lavoura de soja no Estado de Nebraska, nos Estados Unidos; preço menor da oleaginosa derruba renda de produtor

Lavoura de soja no Estado de Nebraska, nos Estados Unidos; preço menor da oleaginosa derruba renda de produtor

As receitas totais dos produtores norte-americanos deverão atingir US$ 452 bilhões neste ano, prevê o Usda, 1,3% acima das de 2012.

Já os gastos com a produção sobem 4%, para US$ 329 bilhões.

Os produtores agrícolas serão os mais afetados com o recuo de renda. O valor total da produção deles deverá cair para US$ 207 bilhões, 11% menos do que em 2013.

Já a pecuária toma rumo inverso nos EUA, com forte aceleração nas receitas, apontam os dados do Usda.

O valor da produção de animais, ao contrário do que ocorre normalmente, supera o de grãos neste ano e vai a US$ 208 bilhões, 15% mais do que o registrado em 2013.

Essa alta decorre da forte evolução no preço das carnes, devido à queda de produção no setor nos Estados Unidos.

O maior destaque fica para a carne bovina, cujas receitas aumentarão 16% no ano.

Esse mesmo cenário de receitas menores deverá ocorrer também no Brasil. E a tendência será a mesma, com recuo no valor da produção agrícola, mas aumento no da pecuária.

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Café Após a forte aceleração na terça-feira (2), o café recuou 3,5% ontem (3) na Bolsa de commodities de Nova York. Mesmo com a queda, o produto acumula alta de 75% ante o valor do início de setembro de 2013.

Motivos Para o Cepea, que também apontou queda de preços no mercado interno, o recuo se deve à realização de lucros dos participantes da Bolsa e à ocorrência de chuvas em regiões produtoras brasileiras.

Recuo O etanol hidratado negociado na BM&FBovespa caiu para R$ 1,159 por litro ontem, uma queda de 1% em uma semana.

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Indústria ainda tem venda menor de máquinas

As vendas de máquinas agrícolas ficaram estáveis em agosto, em relação às de julho, mas ainda apresentam forte recuo quando comparadas com as de igual mês do ano passado.

As indústrias colocaram 5.438 tratores de rodas no mês passado nas concessionárias, um número 14% inferior ao de agosto de 2013.

Nesse mesmo período, as vendas de colheitadeiras recuaram para 443, uma desaceleração de 19%, segundo informações do mercado.

O recuo nas vendas é ainda maior quando comparada a comercialização deste ano com a dos oito primeiros meses do ano passado.

As vendas de tratores caíram para 37,6 mil unidades, 16% menos, enquanto as de colheitadeiras recuaram para 3.786, uma queda de 32%

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Milho

Preço do cereal recua na Bolsa de Chicago

As chuvas nos EUA podem melhorar parte das lavouras de milho, segundo analistas. Com isso, o produto voltou a cair em Chicago, para US$ 3,41 por bushel (25,4 quilos) nesta quarta (3). Ao recuar para esse patamar, o cereal já vale 31% menos do que em setembro de 2013.

com Angela Cobos

Fonte: Ruralbr

04/09/2014 02h00