Vaivém – Área plantada vai cair em 2018, e preço de alimento poderá subir

BRASNORTE, MT, 10.07.2015: AGRICULTURA-MT - Colheita de milho na fazenda Rio do Sangue, em Brasnorte (MT). (Foto: Mauro Zafalon/Folhapress)

Colheita de milho no MT; áreas terão redução em 2018

Os novos números da safra de grãos divulgados pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) nesta terça-feira (12) trazem uma preocupação.

O custo dos alimentos poderá subir em 2018, principalmente o dos básicos. Neste ano, ocorreu o contrário. Os alimentos pesaram pouco no bolso do consumidor e impediram uma evolução da taxa de inflação.

Para a Conab, o Brasil estará semeando na safra 2017/18 a menor área com arroz desde a década de 1970, início da série histórica dos números do órgão.

A área destinada ao feijão na primeira safra —são três no ano— fica próxima de 1 milhão de hectares, a segunda menor desde os anos 1970. O abastecimento interno passará a depender de uma boa evolução das outras safras.

As más notícias vêm também da produção de trigo. A área caiu, e a produção do cereal deverá ficar em 4,3 milhões de toneladas neste ano, a menor em dez anos.

O Brasil consome 11,2 milhões de toneladas de trigo por ano. Para atender a demanda interna, o país terá de importar acima de 7 milhões de toneladas.

Outra preocupação é com o milho, cuja área da safra de verão também é a menor desde a década de 1970. Área e produção menores na safra de verão colocam um peso grande no resultado da chamada safrinha, a safra de inverno. Este é, no entanto, um período de risco para a produção de milho.

O grande destaque da safra 2017/18 fica por conta da soja. A área semeada atingirá o recorde de 35 milhões de hectares, 3% mais do que na safra 2016/17.

A oleaginosa avança sobre as áreas de arroz, feijão e milho, cujos preços não agradaram aos produtores neste ano. Mesmo com área maior, a produção de soja do próximo ano será menor do que a deste.

Na avaliação da Conab, serão produzidos 109 milhões de toneladas de soja em 2018, abaixo do recorde de 114 milhões deste ano.

A safra total de grãos cai para 226,5 milhões de toneladas em 2017/18, com queda de 11,2 milhões de toneladas em relação à de 2016/17. Neste ano, a produção havia superado em 51 milhões a de 2015/16.

As principais quedas na produção de 2018 serão arroz (6%), feijão da primeira safra (18%) e milho (6%). A soja, com produtividade menor, recuará 4%.

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Biodiesel eleva moagem de soja para 43 milhões de toneladas em 2018

As exportações brasileiras de soja deverão atingir 67,8 milhões de toneladas neste ano, 16 milhões mais do que em 2016. Os dados são da Abiove (Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais).

Enquanto o Brasil ganha espaço no mercado mundial de soja, os Estados Unidos perdem.

Dados do Usda (Departamento de Agricultura dos EUA) desta terça-feira (12) indicam que as vendas externas de soja dos americanos deverão ficar em 60,6 milhões de toneladas em 2017/18, abaixo da previsão anterior de 61,2 milhões. O volume de 2016/17 foi de 59,2 milhões.

Fábio Trigueirinho, da Abiove, diz que o bom desempenho das exportações brasileiras se deve à safra recorde de soja deste ano, às dificuldades tributárias internas das indústrias (ICMS, PIS/Cofins e Funrural) e à política chinesa de dar preferência às importações de grãos.

Os números da soja apontam para vários recordes neste ano. Além das exportações, o país produziu 113,8 milhões de toneladas e processou 41,5 milhões.

As receitas externas, também recordes, subiram de US$ 25,4 bilhões, em 2016, para US$ 31,5 bilhões neste ano.

Para 2018, a entidade prevê produção de 109,5 milhões de toneladas de soja. Destas, 65 milhões serão exportadas e, devido à demanda maior de biodiesel, 43 milhões serão processadas internamente.

Os preços externos da soja deverão ficar estáveis no próximo ano. Com isso, as exportações do complexo (soja em grãos, farelo e óleo) deverão garantir receitas de US$ 30 bilhões, inferiores às deste ano.

BIODIESEL

Com a mudança da mistura do biodiesel ao diesel de 8% para 10% no próximo mês de março, a demanda de soja para a produção do combustível subirá para 18,5 milhões de toneladas em 2018. A demanda de biodiesel atingirá 5,5 bilhões de litros no período.

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Energia renovável – O Senado aprovou nesta terça-feira (12) o Renovabio , projeto que cria a Política Nacional de Biocombustíveis e incentiva a produção de energia renovável. A matéria depende, agora, da sanção do presidente.

Café – O Brasil exportou 27,7 milhões de sacas de café de janeiro a novembro, 10,7% menos do que em igual período de 2016. As receitas caíram para US$ 4,7 bilhões, conforme dados do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil).

Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pela Folha, soma 40 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

Fonte : Folha