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Vaivém – Área de trigo na Argentina será menor que a prevista

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ORG XMIT: 282801_1.tif Agricultores trabalham em plantação de trigo em Salto, a 190 quilômetros de Buenos Aires (Argentina). ONE IN A SERIES OF EIGHT STAND ALONE PHOTOS--Farm workers thresh wheat in Salto, some 190 kilometers, (120 miles) northeast of Buenos Aires, Argentina, Dec. 10, 2002. Since the Argentine government devalued the peso at begining of the year, it has had a direct impact on exporters in Argentina, such as grain companies that export wheat and soybeans. (AP Photo/Gustavo Ercole)

Agricultores trabalham em plantação de trigo em Salto, a 190 quilômetros de Buenos Aires (Argentina)

O plantio de trigo na Argentina vai ser menor do que o previsto anteriormente. A Bolsa de Cereais de Buenos Aires reduziu, nesta quinta-feira (17), a estimativa de área em 1%, em relação ao que previa antes.

O novo número indica 5,35 milhões de hectares nesta safra, uma área ainda superior, contudo, à de 5,1 milhões de 2016.

A redução ocorre devido ao excesso de umidade no solo em algumas das regiões produtoras do país, o que dificulta o plantio.

A área final de trigo não deverá ter muita mudança em relação ao estimado pela Bolsa, uma vez que os triticultores argentinos já semearam 99,5% do espaço que será destinado ao cereal.

A Bolsa ainda não fez estimativa de produção. Se, todavia, a produtividade desta safra for inferior ao bom patamar obtido na anterior, de 3.390 quilos por hectare, o volume de produção ficará abaixo dos 18,4 milhões de toneladas previstos pelo governo.

A produção argentina é importante para suprir o deficit brasileiro de trigo, principalmente neste ano, quando o clima não favorece as lavouras brasileiras.

Um volume elevado de produção na Argentina, porém, interfere nos preços no Brasil, desfavorecendo os triticultores nacionais.

A Conab (Companhia Brasileira de Abastecimento), que neste mês revisou para baixo os dados da produção brasileira, prevê importações de 7 milhões de toneladas do cereal neste ano.

Na avaliação do órgão do governo, a produção poderá recuar para 5,2 milhões de toneladas, após ter atingido 6,7 milhões em 2016. O consumo nacional deve ser de 11,5 milhões de toneladas.

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Seguro – O Ministério da Agricultura liberou R$ 10 milhões para o PSR (Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural) para subvencionar o seguro da cultura de trigo.

Trigo gaúcho – O desenvolvimento das lavouras tem lenta recuperação no Rio Grande do Sul devido à baixa umidade do solo. Segundo a Emater/RS-Ascar, o desenvolvimento atual das lavouras está abaixo da média de anos anteriores.

Câmara – A Comissão de Agricultura da Câmara Federal discutiu, nesta quinta-feira (17), uma política nacional para o trigo. Segundo Robson Mafioletti, superintendente da Ocepar (Organização das Cooperativas do Paraná), as importações do cereal custaram US$ 18,4 bilhões ao país nos últimos dez anos.

Custos – Ana Paula de Jesus Kowalski, da Faep (Federação da Agricultura do Paraná), afirma que há um descasamento entre os custos de produção e o preço mínimo do governo.

Vendas – Os produtores gastam de R$ 40 a R$ 50 por saca para a produção, um valor superior aos R$ 37 do preço de garantia do governo. A saca do cereal está sendo comercializada por preços que vão de R$ 32 a R$ 35, segundo ela.

Autossuficiência – As dificuldades na produção e na comercialização de trigo no Brasil estiveram entre os temas abordados na reunião. A autossuficiência estará no centro dos próximos debates da comissão, segundo Sergio Souza (PMDB-PR).

Gustavo Ercole /Associated Press

Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pela Folha, soma 40 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

Fonte : Folha