Vaivém – Área cresce pouco, mas produtividade de grãos dispara no país

Colheita de soja em fazenda a cerca de 215 km do município de Paranatinga (MT)

Colheita de soja em fazenda em Mato Grosso

Após uma interrupção em 2016, devido ao clima adverso, a produção nacional de grãos voltou a manter um ritmo acelerado neste ano.

Na avaliação da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), a produção atingirá 223 milhões de toneladas, um volume 19% superior ao de 2016.

Já o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) estima a safra brasileira em 221 milhões de toneladas, 20% mais do que em 2016.

O ritmo da evolução brasileira de grãos mostra um dado interessante. Enquanto a área utilizada para a produção no país teve evolução de 43% nos últimos 15 anos, a produção de grãos subiu 130% no mesmo período.

Ou seja, o país coloca cada vez mais tecnologia na produção agrícola, colhendo os resultados nos últimos anos.

Esse avanço tecnológico permite ao Brasil não apenas elevar a produção interna como colocar a produtividade do país no patamar dos demais produtores mundiais de ponta.

Os dados oficiais da produção brasileira deste ano podem, no entanto, estar defasados. Se as estimativas de várias consultorias estiverem corretas, Conab e IBGE terão de reajustar para cima a produção nacional de grãos.

No caso da soja, por exemplo, cuja produção prevista pela Conab é de 108 milhões de toneladas, algumas consultorias já estimam um volume próximo de 110 milhões de toneladas.

Para o milho, a diferença é ainda maior. Conab e IBGE estão em patamares próximos de 89 milhões de toneladas, enquanto a consultoria Céleres já prevê 98 milhões de toneladas.

As mudanças na produção de soja não devem oscilar muito porque a colheita está em andamento.

Quanto ao milho, no entanto, a chamada safrinha, que ainda está sendo semeada, dependerá de uma boa evolução do clima.

Os dados de produção brasileira mostram uma grande concentração em apenas três produtos. Arroz, milho e soja devem somar 209 milhões de toneladas, 94% do total de grãos a ser produzido pelo país.

Todos os três mostram intensa recuperação de produção neste ano, após terem sido afetados por problemas climáticos no ano passado.

A colheita de arroz, que está em andamento, deverá atingir 12 milhões de toneladas neste ano, 13% mais do que em 2016.

Um dos destaques negativos para este ano é a safra de trigo. A produção deverá recuar para 5,6 milhões de toneladas, ante 6,7 milhões em 2016.

Já o feijão volta à produção normal, reduzindo a pressão dos preços como o ocorrido no ano passado.

A Conab estima que a produção da leguminosa retorne aos 3,3 milhões de toneladas neste ano, 32% mais do que no ano passado.

Em 2016, clima ruim e substituição de parte das áreas de feijão por soja resultaram em uma produção de apenas 2,5 milhões de toneladas.

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Brasil tem plano de apoio a colombianos no algodão

O algodão já chegou a ocupar 400 mil hectares na Colômbia. Hoje está restrito a 18 mil hectares, cultivados por agricultores familiares.

Para incrementar a produção no país vizinho, a Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão) está no país para apresentar o modelo brasileiro de desenvolvimento de qualidade, de sustentabilidade e de rastreabilidade do algodão.

A associação, junto com o governo brasileiro e outras entidades como a FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação), está mostrando ainda um panorama da cotonicultura brasileira.

O compartilhamento dos recursos técnicos e a troca de experiências nesse intercâmbio podem dar novo ânimo à cotonicultura colombiana, que guarda algumas semelhanças com a brasileira, especialmente quanto às variedades plantadas, segundo Marcio Portocarrero, diretor executivo da Abrapa.

Para o diretor, esses acordos são importantes porque eles sempre têm mão dupla. Uma iniciativa dessa —além de gerar desenvolvimento, emprego e renda— beneficia todo o bloco do Mercosul, aponta Portocarrero.

Paulo Muzzolon/Folhapress

Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pela Folha, soma 40 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

Fonte : Folha