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Vaivém – Produtos básicos sustentam saldo da balança

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Colheita de soja em fazenda a cerca de 215 km do município de Paranatinga (MT)

Colheita de soja em fazenda a cerca de 215 km do município de Paranatinga (MT)

Os produtos básicos estão garantindo um bom saldo para a balança comercial brasileira.

Os três principais itens da pauta de exportações —soja, minério e petróleo— tiveram uma participação de 33,2% nas receitas do país nos cinco primeiros meses deste ano. No mesmo período de 2016, essa participação se limitava a 25%.

A soja, como acontece tradicionalmente neste período do ano, traz o maior volume de receitas para o país.

De janeiro a maio, o complexo soja (grãos, farelo e óleo) rendeu US$ 16 bilhões, 19% mais do que em igual período do ano passado.

A alta ocorre devido à safra recorde, que deverá atingir 113 milhões de toneladas no ano. Esse volume financeiro poderia ter sido maior, não fosse a queda externa dos preços.

As carnes também cooperaram para a melhora do saldo da balança. Até maio, as exportações do setor renderam US$ 4,97 bilhões, 7% mais do que em 2016.

Os dados são da Secex (Secretaria de Comércio Exterior) e incluem apenas as carnes "in natura".

O saldo continua positivo também para o açúcar, cujas exportações somam US$ 4,24 bilhões neste ano, 40% mais.

Esse aumento se deve aos bons preços atingidos pelo produto, devido ao deficit mundial entre produção e consumo.

Os preços externos atuais do açúcar, no entanto, já não são tão favoráveis como os do ano passado. Nesta quinta-feira (1º), o primeiro contrato fechou a 14,23 centavos de dólar por libra-peso, 18% menos do que há um ano.

Três itens, no entanto, não obtiveram bom desempenho como no ano passado: milho, fumo em folhas e algodão.

As exportações de milho dos cinco primeiros meses do ano passado somaram US$ 2 bilhões, valor que caiu para apenas US$ 453 milhões neste ano.

MINÉRIO

As exportações de minério de ferro atingiram US$ 8,7 bilhões no ano, 98% mais do que igual período anterior. As receitas com petróleo subiram para US$ 7,2 bilhões, com evolução de 133%.

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Maio tem dispersão de preços e queda recorde do boi

Os pesquisadores do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) acompanham o mercado de bois há 20 anos.

Até então, nunca tinham verificado um mês de maio com tanta disparidade de preços entre os valores mínimos e máximos de mercado.

A arroba de boi gordo, que terminou abril cotada a R$ 139,31, recuou para R$ 132,66 no final de maio. A queda foi de 4,8%, a maior registrada até então pelo Cepea nos meses de maio.

Uma sequência de acontecimentos desfavoráveis ao setor nos últimos meses provoca muita apreensão nos pecuaristas.

Alguns, por necessidade de pagamento de contas, venderam a prazo. Outros estão reticentes até para vender à vista.

"E isso gerou uma amplitude de preços", diz Mariane Crespolini, pesquisadora do Cepea.

Crespolini destaca que a Operação Carne Fraca e a delação premiada dos donos da JBS estiveram entre os principais eventos que forçaram a queda dos preços no mês passado.

Esses acontecimentos se somaram à recomposição do rebanho, à queda no abate de vacas e à renda menor do consumidor, provocada pela crise econômica. Todos são motivos para a queda de preços do boi, segundo ela.

 

Paulo Muzzolon/Folhapress

Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pela Folha, soma 40 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

Fonte : Folha