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Vaivém – Produtor de milho vai para soja nos EUA e derruba ainda mais os preços

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Colheita de milho em fazenda no Estado de Illinois (EUA). *** ORG XMIT: WXG297 Joe Raben harvests corn on land he farms with his father and uncle October 4, 2008 near Carmi, Illinois. A recent tumble in the price of corn and soybeans combined with the rising cost of seed, fuel, and land rents have many Midwestern farmers concerned. AFP PHOTO/Scott Olson/Getty Images ***DIREITOS RESERVADOS. NÃO PUBLICAR SEM AUTORIZAÇÃO DO DETENTOR DOS DIREITOS AUTORAIS E DE IMAGEM***

Colheita de milho em fazenda no Estado de Illinois (EUA)

O início de safra 2017/18 não vai bem nos Estados Unidos. Mas isso não deve dar novo ânimo ao produtor brasileiro. Muita coisa precisa mudar para pior nas lavouras americanas para que os Estados Unidos interfiram menos no volume mundial de grãos.

O plantio está atrasado, devido ao excesso de umidade. O produto que mais sofre com o excesso de chuva é o milho. Estimativas indicam que boa parte da área que foi semeada com esse cereal deverá ser replantada.

O tempo passa, e a partir das próximas semanas os americanos perdem o prazo ideal para o plantio ou o replantio de milho. Quem perder esse período vai optar pela soja.

Com isso, a área de soja, que já supera em 2,5 milhões de hectares a do ano passado, poderá ser ainda maior neste ano.

O resultado disso é uma safra de soja ainda maior nos Estados Unidos, e preços em queda.

Nesta terça-feira (30), o contrato de julho da oleaginosa recuou para até US$ 9,11 por bushel (27,2 quilos), o menor valor desde 9 de março de 2016. Após pequena recuperação no final do pregão, terminou o dia em US$ 9,13.

O problema é que o aumento da safra de soja influencia muito a rentabilidade dos produtores brasileiros, devido à queda de preços. Já a redução da safra de milho nas lavouras dos EUA não traz tantos benefícios aos brasileiros.

Além de a safrinha deste ano estar com patamares recordes de produção, os argentinos também vão colocar um volume elevado do cereal no mercado internacional.

Uma das poucas coisas que poderiam influenciar a produção norte-americana seria a ocorrência de seca em junho e julho, segundo Daniele Siqueira, da AgRural. Caso contrário, a oferta mundial de milho neste ano será grande.

A consultoria termina nesta semana o levantamento de produção de milho safrinha, mas já constata que vêm números recordes pela frente.

NOS EUA

Os produtores norte-americanos já semearam 67% da área que será destinada à soja nesta safra 2017/18. No ano passado, a área coberta neste período do ano era de 71%.

Já o plantio de milho atinge 91%, próximo dos 93% do ano passado. Em algumas áreas, no entanto, o replantio deverá superar 10%. Estimativas mais pessimistas indicam até 40%.

Essas previsões podem ser exageradas, mas este deverá ser o ano com o maior percentual de área a ser replantada, afirma Siqueira.

Um dado que preocupa os produtores dos Estados Unidos é a qualidade das lavouras. O Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) indica que em alguns Estados o percentual das lavouras consideradas em condições boa e excelente é baixo.

A média do país é de 65% —72% em 2016—, mas os Estados de Indiana e de Illinois têm apenas 43% e 52%, respectivamente, das lavouras nessas condições.

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Açúcar – O preço mantém queda na Bolsa de commodities de Nova York. A melhora da moagem de cana no centro-sul do Brasil derrubou os preços para 15,02 centavos de dólar por libra-peso na Bolsa. O Brasil é líder mundial na produção e exportação de açúcar.

Carnes – O governo dos Estados Unidos atualizou nesta terça-feira (30) o dado de produção de carnes do país durante o primeiro quadrimestre do ano.

Acima – A produção de carne bovina subiu para 3,76 milhões de toneladas, superando em 5% a de igual período de 2016. Já a de frango ficou estável em 7 milhões de toneladas.

Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pela Folha, soma 40 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

Fonte : Folha