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Vaivém – Produtor de arroz quer reduzir área para segurar preço

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URUÇUÍ, PI, BRASIL, 13-06-2011: Máquina agrícola fazendo colheita de arroz, em Uruçuí (PI). (Foto: Luiz Carlos Murauskas/Folhapress)

Colheita de arroz, em Uruçuí (PI)

Os produtores de arroz têm de diminuir a área a ser plantada nesta safra de 2017/18. Do contrário, vão encontrar uma situação de mercado ainda pior do que a atual.

A recomendação é da Federarroz (Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul).

"Temos de ter a coragem de dizer isso", diz Alexandre Velho, vice-presidente da federação. Segundo ele, é necessária uma adequação da oferta com a demanda.

A área que deixaria de ser usada com o arroz nesta safra poderia ser dedicada à rotação de cultura, como o plantio de soja ou a utilização do espaço para a pecuária, recomenda a Federarroz.

O vice-presidente da entidade afirma que há um aumento da oferta de arroz no país. Ela não vem, porém, da produção brasileira, mas das importações dos países vizinhos do do Mercosul.

Velho afirma que a Federarroz está trabalhando com o governo para elevar as exportações do cereal no curto prazo, afim de diminuir um pouco o excedente interno de arroz gerado neste ano.

O Brasil conseguiu vários mercados para a colocação do produto nacional nos últimos anos. Neste ano, contudo, o dólar fraco faz o produto nacional perder competitividade.

Um dos grandes problemas do setor no momento são os custos de produção, que superam as receitas com as vendas do produto, segundo o vice-presidente da Federarroz.

ESTOQUES

No final das safra 2015/16, os estoques de arroz eram de 431 mil toneladas. Em 2016/17 deverão ficar em 1,46 milhão. Se não houver uma maneira de desovar o excesso de produto, os estoques finais da próxima safra deverão atingir 2 milhões de toneladas, segundo Velho.

A oferta total de arroz neste ano subiu para 13,8 milhões de toneladas no país, para um consumo nacional de 11,5 milhões. As exportações estão estimadas em 800 mil toneladas, segundo dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).

A área de plantio subiu para 1,1 milhão de hectares no Rio Grande do Sul na safra que já foi colhida no primeiro semestre deste ano. Essa área teve aumento de 2% em relação à anterior.

O Estado, o principal produtor nacional, obteve 8,7 milhões de toneladas na safra 2016/17.

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Saldo positivo – A exportação do agronegócio somou US$ 48 bilhões no primeiro semestre, 6% mais do que em 2016. A alta se deve à valorização média de 15%, em dólar, dos produtos, uma vez que o volume exportado caiu 6%.

No bolso – O dólar mais fraco, porém, fez o faturamento do setor cair 9%, em real, segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

Suco – As exportações de suco de laranja não congelado deverão atingir 190 mil toneladas neste mês. Se confirmado, o volume superará em 104% o de igual mês de 2016.

Milho – A exportação do cereal também dobra. Pelos números atuais da Secex (Secretaria de Comércio Exterior), as vendas externas deverão subir para 5,4 milhões de toneladas neste mês -2,6 milhões em 2016.

Carnes – As vendas externas mantêm boa evolução neste mês, ante 2016. A carne suína registra alta de 48% no volume. A de frango aumenta 29%, e a bovina, 13%.

Lavouras nos EUA – As condições boa e excelente das lavouras de soja dos Estados Unidos somam 61% neste ano, abaixo dos 73% do ano passado, segundo o Usda (Departamento de Agricultura dos EUA).

Ano atípico – Apesar dessa condição inferior, a safra 2017/18 de soja será boa. O clima de 2016 foi excepcional.

Moagem menor – Desde o início da safra 2017/2018, em abril, as usinas moeram 343 milhões de toneladas de cana, um volume 4% inferior ao de igual período de 2016, segundo dados da Unica.

Etanol – A produção atingiu 13,5 bilhões de litros no período, 8,8% menos do que na safra anterior.

Luiz Carlos Murauskas – Folhapress

Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pela Folha, soma 40 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

Fonte : Folha