Vaivém – Produtor de algodão começa a pagar conta do dólar caro e do ‘custo Brasil’

Funcionário inspeciona plantação de algodão no município de Sorriso, no Mato Grosso

Plantação de algodão no município de Sorriso, no Mato Grosso

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O produtor de algodão começa a pagar a conta do dólar elevado. Essa conta, no entanto, não é salgada só devido à mudança cambial.Também pesa o "custo Brasil".

Aumento do diesel, falta de crédito, juros elevados e mão de obra mais cara colocaram os custos de produção do produtores de algodão de Mato Grosso em patamar recorde nesta safra 2015/16.

Cálculos do Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária) estima o custo total em R$ 8.100 por hectare nesta safra.

Esse valor supera em 21% o da safra 2014/15. E o produtor não terá folga porque os custos da safra 2016/17 já são estimados em R$ 9.024 por hectare.

A maioria desses custos ocorre devido às incertezas políticas e econômicas vividas no país.

Apuração do Imea indica que o diesel, apesar da vertiginosa queda do preço do petróleo, subiu 8,5% da safra 2014/15 para a 2015/16.

Na mesma linha, os custos de mão de obra, empurrados pela aceleração da inflação, são 9% mais elevados no mesmo período.

Na divisão dos custos, os insumos estão entre os de maior peso no bolso dos produtores. Sementes, fertilizantes e defensivos agrícolas deverão somar R$ 5.309 por hectare, 66% do total dos custos do produtor. Na safra anterior, atingia 61%.

Os produtores de Mato Grosso vão destinar 576 mil hectares para o plantio de algodão nesta safra 2015/16, 2% mais do que na anterior. A produção, no entanto, fica estável em 941 mil toneladas.

O que agrada aos produtores neste ano é o voraz apetite asiático pelo algodão do Estado. Enquanto a China pisa no freio nas compras devido aos elevados estoques que tem, vietnamitas e paquistaneses aumentam as compras de produto brasileiro.

RECORDE

Como antecipara esta coluna, o Imea prevê mais um recorde para a produção de soja em Mato Grosso. Com uma estimativa de produtividade de 51,6 sacas por hectare, a produção subiria para 28,5 milhões de toneladas.

As maiores produtividades ocorrem nas regiões oeste (56,4 sacas por hectare) e sudeste (54,1 sacas). Essas duas regiões representam 33% da área semeada no Estado.

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Açúcar Os preços do produto dispararam nesta terça-feira (23) em Nova York. O primeiro contrato negociado no mercado futuro foi a 14 centavos de dólar por libra-peso, 11% mais do que na segunda-feira.

Deficit Um dos motivos dessa elevação foi a previsão, pela Organização Internacional do Açúcar, de que o deficit mundial entre produção e consumo atingirá 5 milhões de toneladas na safra 2015/16 (outubro a setembro).

Safras Além disso, há estimativas de quebra de safras em várias das principais regiões produtoras mundiais, devido ao efeito do El Niño.

Fernando Donasci –

Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pelaFolha, soma mais de 38 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

Fonte : Folha