Vaivém: Preço dos grãos em queda já afeta exportação

A queda internacional nos preços das commodities, associada ao embarque menor de alguns produtos, como o do milho, reduziu as receitas das grandes exportadoras de grãos neste ano.

Das 40 maiores empresas do setor nos oito primeiros meses deste ano, 10 delas são do mercado de grãos, apontam dados do Ministério do Desenvolvimento.

Essas empresas somaram receitas de US$ 20,2 bilhões de janeiro a agosto deste ano, 3% abaixo do valor de igual período de 2013.

O mesmo não ocorre com as carnes que, devido à elevação dos preços, têm bom crescimento das exportações.

Marcelo Sayão/Efe

Plataforma de petróleo na Bacia de Campos; exportação da Petrobras sobe, mas deficit persiste

Plataforma de petróleo na Bacia de Campos; exportação da Petrobras sobe, mas deficit persiste

As quatro maiores empresas do setor exportaram o correspondente a US$ 7,9 bilhões neste ano, 7% mais do que nos oito primeiros meses do ano passado.

Já as importações no setor agropecuário continuam subindo, mas com ritmo menor. O Ministério do Desenvolvimento registra gastos de US$ 3,59 bilhões das quatro principias fornecedoras de insumos agrícolas químicos e sementes. A Syngenta lidera, com importações de US$ 1,2 bilhão, 11% mais do que em igual período de 2013.

Na área de fertilizantes, as importações ainda têm ritmo intenso, com os gastos externos das três principais importadoras do setor atingindo US$ 2,62 bilhões até agosto, 20% mais do que em 2013.

A Yara Brasil Fertilizantes lidera as importações, com compras de US$ 1,21 bilhão neste ano, 63% mais do que em igual período do ano passado, segundo o ministério.

Já a Bunge lidera as exportações de grãos, somando US$ 4,96 bilhões no ano, mas esse valor recua 8% em relação ao do ano passado.

Entre as quatro maiores exportadoras de commodities, apenas a Cargill obteve aumento nas receitas, com crescimento de 2%.

A líder no mercado de commodities, a Vale, continua perdendo receitas externas. A demanda menor da China e a queda dos preços do minério fizeram as exportações da empresa recuarem para US$ 14,3 bilhões neste ano, 13% menos do que em 2013.

Já as exportações da Petrobras subiram para US$ 9,22 bilhões, com alta de 19% no ano. Mesmo assim, a empresa apresenta deficit de US$ 16,5 bilhões, devido aos gastos de US$ 25,7 bilhões com importações.

*

Inovar A monocultura reduz a biodiversidade e o desafio da agricultura é inovar sempre, diz Fernando Dini Andreote, da Esalq, que ganhou prêmio da Fundação Bunge ao estudar o uso de microbioma dos solos e das plantas na busca da agricultura sustentável.

Agrobiodiversidade Hiroshi Noda, outro ganhador do prêmio, diz que é necessário desacelerar a perda da agrobiodiversidade. Pertencente ao Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), Hiroshi desenvolve trabalho de sustentabilidade da agricultura familiar na Amazônia.

Búfalas A ABCB (associação dos criadores de búfalo) ampliará a fiscalização dos derivados do setor também aos laticínios que não participam do programa de qualidade da associação.

Leite de vaca A ABCB constatou que a maior parte dos laticínios que produzem queijos derivados do leite de búfala misturam leite de vaca aos produtos, a fim de reduzir custos.

*

Suíno volta a subir nas granjas de São Paulo

Após estabilidade na semana passada, o preço da arroba de suíno voltou a subir no Estado de São Paulo. Pesquisa da Folhaapurou que o valor médio da arroba subiu para R$ 87,60 nas granjas paulistas nesta terça (23), 2,2% mais do que no dia anterior.

A alta de preços ocorre porque a demanda continua estável, mas os animais ofertados têm peso menor, dificultando a escala de abate. O valor atual da arroba de suíno supera em 27% o de igual período do ano passado.

*

FEIJÃO

Depois de alta de 19% na semana passada, em razão de oferta menor, o preço do feijão caiu pelo segundo dia consecutivo, apontou pesquisa da Folha. Essa queda se deve ao recuo da demanda, causada pelos recentes preços elevados do produto. A saca está em R$ 99,50.

Fonte: Folha |

24/09/2014 02h00