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Vaivém – Preço do boi gordo tem maior queda da história em 12 meses, aponta Cepea

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Colina, SP. 06/01/2016 - Boi 777. Nova forma de criação de gado permite engorda mais rápida. Gado da raça nelore criado no Polo de Pesquisa Alta Mogiana, em Colina, SP, onde a nova técnica esta sendo desenvolvida. Estudo desenvolvido no interior de São Paulo acelera o abate de bois em até um ano. O chamado boi 777 é resultado de um conjunto de medidas tomadas no pasto para deixar o gado pronto para ser abatido em até dois anos, um ano antes do método tradicional. Foto: Pierre Duarte/Folhapress **EXCLUSIVO/FSP**ESPECIAL**

Gado em Colina (SP); preço da arroba caiu 17,7% nos últimos 12 meses até junho

caiu 17,7% nos últimos 12 meses até junho, a maior queda nominal da história nesse período do ano, segundo Mariane Crespolini, pesquisadora do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). Essa série de preços foi iniciada em 1997.

Para Crespolini, a média de preço para este mês —até terça-feira (27)— foi de R$ 128,89. Em igual período de 2016, o valor era de R$ 156,67.

O preço do bezerro também teve queda histórica. A comparação das médias mensais de junho de 2016 e deste mês mostrou recuo de 18,4%, conforme o Indicador Esalq/BM&FBovespa.

O preço atual do bezerro caiu para R$ 1.093,11, em comparação com R$ 1.338,82 em junho de 2016. Essa foi a redução mais expressiva nesse período desde o início da série do Cepea, em 2000.

A intensa redução de preços no pasto não foi registrada no mercado atacadista de carne com osso, segundo Crespolini. O valor da carcaça casada de boi recuou apenas 1,02% no período.

"No primeiro semestre deste ano, o preço da arroba de boi gordo caiu 13,68%, o do bezerro, 12,38%, e o da carcaça casada, 5,48%", afirmou a pesquisadora.

A forte desaceleração dos preços ocorreu porque os investimentos realizados por pecuaristas resultaram em ganhos de produtividade e disponibilidade maior de fêmeas para abate.

Esse cenário e a demanda, ainda sem fôlego para absorver o excedente produzido, pressionaram as cotações já no início do ano.

Além disso, a Operação Carne Fraca e os reflexos da delação premiada da JBS fizeram que a principal indústria do setor reduzisse o volume de abates.

Isso dificultou a comercialização do gado, o que também se deve ao fato de o setor ser composto de uma grande quantidade de pecuaristas com pouca organização em comercialização conjunta e, ao mesmo tempo, o elo intermediário da cadeia, mais concentrado e organizado, ter administrado bem as compras, a ponto de não inundar o mercado atacadista, como explica Crespolini.

As exportações seriam um caminho, mas os problemas internos do setor prejudicam a imagem da cadeia produtiva no exterior.
Mercado mundial de carne bovina passa por grandes mudanças
Aconteceu de tudo nesse segundo trimestre do ano no mercado internacional de carne bovina.

O Brasil, maior exportador mundial, viu seu mercado virar de ponta-cabeça.

Operações da Polícia Federal, delação premiada dos donos da JBS e as porteiras fechadas nos Estados Unidos para a carne "in natura" do Brasil marcaram esse mercado.

Os Estados Unidos, maiores produtores mundial de carne bovina, voltam a se recuperar.

Os americanos estão com um rebanho maior, produzem mais e elevam as exportações.

Para assegurar esse bom desempenho, os Estados Unidos vão contar com uma ajudazinha da China. O país asiático, após 13 anos, abriu novamente as portas para a carne bovina americana.
Outra importante mudança no mercado vem da Índia, país que disputa com o Brasil a liderança nas exportações mundiais: o governo indiano impôs limitações ao abate de gado.

Estudo dos técnicos do Rabobank, banco especializado no agronegócio, indica que a China será o grande diferencial desse mercado.

A demanda cresce muito, e a oferta interna é insuficiente. Por esse motivo, o país asiático abriu o seu mercado para os brasileiros em 2015 e, agora, o libera para a carne americana.

Na avaliação do Rabobank, a China, que importou 15% do volume de carne que consome em 2016, vai buscar 20% em 2020. Serão 2 milhões de toneladas.

O Brasil, líder em exportações para a China, ainda manterá essa liderança nos próximos anos.

Os americanos vão ter de se adaptar a algumas exigências do mercado chinês, tais como rastreabilidade, quantidade de hormônio e uso de ractopamina para o crescimento e ganho de peso do animal.

A abertura da China vem em boa hora para os americanos. As exportações dos Estados Unidos nunca superaram 10% da produção de carne, o que acaba de acontecer no primeiro quadrimestre deste ano.

Os americanos são favorecidos ainda pela fraqueza das exportações brasileiras, que recuaram 10% de janeiro a maio, em relação a igual período do ano passado.

Austrália e Nova Zelândia, outros dois países importantes para o mercado internacional, estão com oferta menor de gado e preços elevados.

A produção australiana de carne bovina caiu 10% de janeiro a abril, em relação ao ano passado. Já os preços subiram 10% de janeiro a maio, segundo o Rabobank.

Nos Estados Unidos, a produção de carne aumentou 4% até maio; a exportação, 20%.

Pierre Duarte/Folhapress

Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pela Folha, soma 40 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

Fonte : Folha