Vaivém – Preço do arroz reage no exterior e pode ajudar produtor em 2018

Plantações de arroz e soja no Rio Grande do Sul

Plantações de arroz e soja no Rio Grande do Sul

 

O mercado de arroz termina o ano com um cenário ruim para o produtor brasileiro. Nas próximas semanas, o varejo começa a dar destaques aos produtos natalinos, deixando o cereal e o feijão em segundo plano.

Com isso, apesar do período de entressafra, a saca de arroz continuará sendo negociada entre R$ 35 e R$ 36 para o produtor, um valor muito próximo do mínimo estabelecido pelo governo.

Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting, acredita, porém, que o cenário poderá mudar no próximo ano.

Os preços vêm subindo no mercado externo, devido a problemas climáticos na Tailândia e na Índia, dois países importantes no abastecimento do mercado internacional.

Apesar de dezembro ser um período de pouca movimentação no mercado externo, a tonelada de arroz beneficiado subiu para R$ 440, uma evolução de 5% nos últimos 30 dias.

Essa pressão externa deverá favorecer o produtor brasileiro em 2018. O aumento externo torna o produto brasileiro mais competitivo e eleva a chance de exportação.

As vendas externas podem dar sustentação aos preços do mercado interno, hoje considerados desanimadores pelos produtores.

Segundo eles, os valores atuais do arroz não cobrem os custos de produção, estimados em R$ 40 por saca.

Há também motivos internos para uma alta de preços. Brandalizze destaca, entre essas pressões, a demanda aquecida para arroz e feijão, devido à situação econômica do país e à queda do poder aquisitivo.

Os consumidores vão optar mais pelo arroz, uma alimentação mais em conta, segundo o analista.

PLANTIO

O plantio da safra 2017/18 está praticamente encerrado no Rio Grande do Sul, Estado líder na produção nacional. Resta apenas 1% da área para ser semeada.

As condições desfavoráveis de preços do cereal fizeram muitos produtores trocarem o arroz pela soja. A área destinada ao cereal deverá cair para 1,07 milhão de hectares neste ano, 2,7% menos do que na safra anterior.

A produção gaúcha ficará entre 8,2 milhões e 8,4 milhões de toneladas, abaixo dos 8,7 milhões da safra 2016/17, segundo estimativas da Conab.

Já a produção mundial está estimada em 440 milhões de toneladas, segundo Brandalizze.

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Crises da carne prejudicam evolução do consumo de ração no ano

O segundo semestre salvou o primeiro no setor de rações. A indústria deverá entregar 71,4 milhões de toneladas de produtos ao mercado neste ano.

Se confirmado esse dado, haverá um crescimento de 2% em relação a 2016, conforme estimativas do Sindirações (Sindicato Nacional da Indústria de Alimentação Animal).

"Pelas dificuldades vividas neste ano, temos de comemorar", disse Roberto Betancourt, presidente do sindicato, que, originalmente, esperava uma alta de de 3% a 4%.

Ele se refere às crises vividas pelo setor de proteínas no primeiro semestre: Operação Carne Fraca e delação premiada de Joesley Batista.

"Mas não podemos comemorar muito, uma vez os números deste ano são apenas compensações", complementa Ariovaldo Zani, vice-presidente-executivo da entidade.

Se 2017 está sendo difícil, 2018 também será de desafios. Embora a economia esboce recuperação, o setor depende de alguns fatores extras. Um deles será a oferta de milho, sujeita a clima, produção e exportação.

Mesmo assim, Zani estima uma repetição de 2% na evolução da produção no próximo ano.

O setor de aves, o que tem a maior demanda de rações no país, deverá ter evolução de 1,8% neste ano; o de suínos, 1%, e o de gado, 4,4%.

Os setores de aquicultura e de cães e gatos tiveram evoluções maiores no ano, mas os volumes consumidos são pequenos em relação aos dos demais.

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Preços de soja e de milho reagem, e inflação sobe no atacado
Os produtos agropecuários vêm reagindo nos últimos meses. Em novembro, a elevação média de preços desses produto foi de 0,85% no atacado, acima do 0,37% de outubro.

Apesar dessa evolução, o acumulado dos últimos 12 meses ainda aponta deflação de 14% no setor. A inflação média teve recuo de 0,33%. Os dados são do IGP-DI (Índice Geral de Preços), apurado pela FGV.

Entre as pressões internas estão soja e milho, cujos preços voltaram a subir no mercado atacadista. A oleaginosa subiu 3% no mês passado, e o cereal, 4%.

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Cana – A usina São Martinho processou 22,2 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2017/18, um volume 15% superior ao de igual período anterior.

Mais etanol – Os dados da empresa mostram que a produção de açúcar subiu para 1,4 milhão de toneladas, com alta de 8,2%. A produção de etanol teve ritmo de evolução ainda maior: 22% para o anidro e 73% para o hidratado.

 

Ronald Mendes /Agência RBS/Folhapress

Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pela Folha, soma 40 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

Fonte : Folha