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Vaivém – Precisamos de segurança, não de beleza, diz produtor, sobre máquina

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Máquina agrícola faz pulveriazação de soja, em Granger (EUA). *** FILE - This July 11, 2013, file photo shows Blake Beckett of West Central Cooperative as he sprays a soybean field, in Granger, Iowa. Faced with tougher and more resistant weeds, corn and soybean farmers are anxiously awaiting government decisions on a new version of a popular herbicide _ and on genetically modified seeds to grow crops designed to resist it. The Environmental Protection Agency is expected to rule in the fall of 2014 on Dow AgroSciences’ application to market Enlist, a new version of the 2,4-D herbicide that’s been around since the 1940s.(AP Photo/Charlie Neibergall, File)

Máquina agrícola faz pulveriazação de soja, em Granger (EUA)

O fórum de agronegócio realizado nesta terça-feira (4) durante a Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina mostrou uma discussão acalorada sobre a utilização das tecnologias existentes nas máquinas agrícolas.

Glauber Silveira, produtor, vice-presidente da Abramilho e do conselho consultivo da Aprosoja, diz que os produtores utilizam apenas 30% das tecnologias existentes nas máquinas. "Precisamos de segurança, e não de beleza e conforto", diz ele.

O problema, segundo Silveira, é que existe uma inovação tecnológica, mas o produtor não está colhendo mais com essa tecnologia.

"Os engenheiros agrônomos estão aprendendo nas faculdades, mas não levam esses conhecimentos para o campo", diz ele.

Para Paulo Herrmann, presidente da John Deere Brasil, "a tecnologia está chegando, mas está sendo usada de forma ineficiente". Na avaliação dele, o país vive uma assimetria. Há avanços em alguns lugares e atrasos em outros.

Herrmann concorda com Silveira que há um aproveitamento das tecnologias dessas máquinas bem abaixo do que elas oferecem.

O usuário "mais fera" das máquinas não consegue subtrair mais de 70% das tecnologias que ela tem, segundo ele.

Mas não tem outro caminho, a tecnologia chegou para ficar, tem de ser útil e de funcionar, afirma o presidente da John Deere.

"O que não pode haver é apenas uma tecnologia de modismo."

Pedro Valente, diretor-geral da Amaggi Agro, concorda com Glauber e diz que os usuários das máquinas no grupo tiram apenas de 40% a 50% das tecnologias oferecidas. Valente destaca que a formação dos profissionais é importante no campo.

Atualmente os engenheiros agrônomos estão mais voltados para a indústria química do que para as lavouras. As químicas pagam mais.

Para Herrmann, a próxima etapa da tecnologia é "as máquinas falarem entre si". Elas vão ler dados disponíveis da lavoura e tomar as decisões acertadas.

"Esse é o caminho, e as assimetrias precisam ser resolvidas com mais aprendizado".

Um caminho difícil, no entanto, admite o executivo da multinacional.

Valente diz que, "no futuro, a tecnologia vai permitir mais sustentabilidade, mas sem treinamento hoje não existe futuro".

AlIMENTAR O MUNDO

O fórum do agronegócio discutiu, nesta terça-feira (4), os desafios de o Brasil de alimentar o mundo. Um desses desafios passa pela sustentabilidade e pela interação na cadeia produtiva. A profissionalização e a educação são indispensáveis para que esse objetivo seja conseguido, segundo Germano Kusdra, coordenador de projeto da Emater.

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Pelo Norte – As exportações de grãos poderão chegar a 18 milhões de toneladas neste ano, segundo Neri Geller, secretário de Política Agrícola do Ministério da Agricultura.

Plano Safra – Geller, ao participar do fórum do agronegócio, em Londrina, afirmou que o Mapa (Ministério da Agricultura) está discutindo com a equipe econômica para que a taxa de juros se mantenha fixa. O setor precisa ter segurança para investir, disse ele.

Custeio – O Mapa quer manter o teto de custeio de R$ 3 milhões por CPF para os produtores. Desse valor, 60% serão liberados na primeira safra. O restante, na segunda.

ExpoLondrina – A exposição, que vai até o dia 9, tem como tema "Agronegócio, Tecnologia e os Novos Horizontes". Palestras, cursos e leilões constam da programação, além da exposição de animais e de máquinas.

Minifazenda – Localizada em uma área de 19 alqueires, a exposição tem até uma minifazenda administrada pela Emater.

Charlie Neibergall /Associated Press

Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pela Folha, soma 40 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

Fonte : Folha