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Vaivém – Perdas na safra de grãos dos EUA vão ser pequenas

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A safra norte-americana de grãos não repete o recorde do ano passado, mas o potencial de produção ainda será bom em 2015/16, o que não é uma boa notícia para os produtores brasileiros.

Daneile Siqueira, analista da AgRural, esteve na semana passada em vários Estados norte-americanos avaliando o desempenho da safra de grãos.

"Há perdas, principalmente devido às áreas que ficaram sem plantio. Essa perda, no entanto, é pequena e pontual, segundo ela.

Siqueira acredita que o Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) ainda vá rever a área de plantio. Para ela, a área de soja deverá ser 600 mil hectares a menos do que a estimada pelo Usda. Já a de milho é 400 mil hectares inferior.

Siqueira acredita que a produtividade da soja fique em 51,5 sacas por hectare, uma a menos do que prevê o Usda. Já a de milho deverá recuar duas sacas, para 174,5 sacas por hectare.

Se a boa safra dos EUA não é uma boa notícia para os brasileiros, não deixa de ser preocupante também para os norte-americanos.

A safra chega em um momento de estoques recompostos e demanda externa fraca. O resultado é que neste mesmo período do ano passado os norte-americanos já haviam contratado exportações de 21 milhões de toneladas da oleaginosa. Neste ano, o volume é de apenas 12 milhões.

Devido à alta do dólar, os preços ficaram mais competitivos na América do Sul.

Um dos desafios dos produtores dos EUA serão as geadas nas regiões onde houve atraso de plantio. Em algumas áreas, esse atraso chegou a 45 dias.

Quanto aos preços dos produtos, Siqueira lembra que os chamados fundamentos (clima, produção, estoques e demanda) já não são tão influentes como no passado.

Ela lembra os efeitos da queda da Bolsa chinesa no mercado agrícola nesta semana. A soja recuou para o menor preço em seis anos.

Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pelaFolha, soma mais de 38 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

Fonte : Folha