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Vaivém: Os eternos desencontros do café

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O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, o maior consumidor mundial de café, estima que a safra do Brasil suba para 52,4 milhões de sacas em 2015/16.

Já a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) prevê que a safra do Brasil, o maior produtor mundial, fique próxima a 45 milhões de sacas.

O mercado não aposta em nenhum desses números e estima um volume próximo de 47 milhões a 48 milhões de sacas.

Os números não fecham. O Usda vem estimando a safra brasileira acima de 50 milhões de sacas há quatro anos, enquanto a Conab só estimou uma safra superior a 50 milhões de sacas em 2012.

Os dados das duas entidades não são suficientes, no entanto, para cobrir exportação e consumo interno brasileiros.

Pelos números do Cecafé, as exportações deste ano voltam a ser recorde e poderão chegar aos 36 milhões de sacas. Somado esse volume aos 21 milhões de consumo interno previstos pela Abic (associação das indústrias), o gasto de café já seria de 57 milhões de sacas.

Agrônomos mais pé no chão acham que esses desencontros de estimativas podem estar atrelados a um erro de área de café.

O erro pode vir, ainda, de deficiência de estruturas de avaliação em algumas regiões produtoras não tão tradicionais, como Goiás, Mato Grosso do Sul e Bahia.

Parte do mercado já se preocupa com a oferta de café no segundo semestre, principalmente se houver algum problema climático nos próximos meses.

Outros julgam que -com a situação econômica atual do país- a falta de sustentação de preços pelo governo e a reduzida oferta de crédito vão dificultar a vida dos produtores, principalmente devido à elevação dos custos de produção.

Os estoques brasileiros admitidos pelo mercado vão de 4 milhões a 6 milhões de sacas. Esse volume, no entanto, é pouco considerado pelo setor porque é formado por café velho e de qualidade inferior. É um volume morto.

Os números dos técnicos do Usda apontam que a safra de café arábica sobe para 38 milhões de sacas no Brasil, 11% mais do que em 2014/15. Já a de robusta recua para 14,4 milhões, após ter atingido 17,7 milhões no ano passado, segundo o órgão.

Os dois Estados líderes em produção têm comportamentos diferentes. Minas Gerais, com 51% da safra brasileira, terá uma produção de 26,5 milhões de sacas, 14% mais.

Já Espírito Santo, líder na produção de conilon, soma 14,3 milhões de sacas em 2015/16, com queda de 11%.

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ANÁLISE

Bebida de qualidade gera lucro e é caminho sem volta

O horizonte para o produtor de café é a produção de um produto que gere uma bebida de qualidade. Diminuiu o espaço para o chamado café "commodity", que cada vez mais é menos aceito no mercado, além de não dar receitas para o produtor.

Os números da evolução do consumo indicam essa preferência do consumidor. A expansão da demanda dos cafés especiais -os mais bem cuidados, desde o cultivo, a colheita até a preparação da bebida- é de 15% anuais. Já os tradicionais têm evolução próxima de 2% ao ano.

O Brasil, maior produtor mundial de café e sempre visto como um país que perseguia pouco a qualidade, começa a mudar.

Editoria de Arte/Folhapress

Ao menos 25% das exportações já são consideradas como cafés diferenciados e, portanto, com mais qualidade, apontam dados do Cecafé (entidade dos exportadores).

Internamente, o consumidor também adere cada vez mais ao café com qualidade. Os dados mais recentes da Abic (que representa as indústrias do setor) indicam que 84% dos consumidores brasileiros ainda tomam o café filtrado, mas que 4% já utilizam as monodoses ou cápsulas.

A saída para os produtores, portanto, é investir nos cafés de qualidade. Não menos importante, no entanto, é abrir canais de venda para que ele seja remunerado conforme o valor do produto.

O mercado de café evoluiu muito, tanto no exterior como no Brasil. A bebida deixou de ser feita só no coador, passou por cafeterias de luxo, por máquinas em bares e restaurantes e, agora, volta-se cada vez mais para o lar, principalmente com as monodoses e as cápsulas.

Embora as cápsulas apenas estejam chegando ao Brasil, algumas empresas já investem pesado em busca do novo passo para a preparação dessa bebida.

A opção do consumidor por um produto com mais qualidade deve auxiliar, também, o aparecimento de novas pequenas empresas no país voltadas para esse setor.

Nos últimos anos, houve uma grande concentração na industrialização e na distribuição de cafés, principalmente quando se trata de marcas nacionais.

Esse ambiente de café com qualidade permite às pequenas indústrias disputar mercados regionais, inclusive com monodoses ou cápsulas.

Até exportadores, que têm uma variedade de cafés especiais nas mãos, já sinalizam para a abertura de pequenas empresas para oferecer esse produto diferenciado.

A busca pelo café de qualidade é um caminho sem volta, principalmente porque os mercados que se abrem para essa bebida, entre eles o da China, estão se acostumando a um produto diferenciado.

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Procedência As carnes brasileiras só poderão estampar em seus rótulos a procedência genética do animal (raça) se vinculadas a protocolos e prestação de informações à PGA (Plataforma de Gestão Agropecuária). A mudança nas regras da rotulagem foi oficializada por meio de marco regulatório do Ministério da Agricultura.

Transparência Diante dessa nova exigência, a Associação Brasileira de Angus e a CNA assinam, nesta quinta-feira (14), o Protocolo Angus, que traz ao mercado transparência e segurança na identificação da origem genética dos animais, segundo os produtores da raça.

Um dia após O primeiro contrato da soja, após a queda de terça-feira (12), quando foi divulgado o relatório de oferta e demanda de grãos pelo Usda, subiu para US$ 9,75 por bushel (27,2 quilos) nesta quarta-feira (13). A alta foi de 0,8%.

Em baixa Já a cotação do milho, apesar das estimativas de redução de safra nos EUA, manteve tendência de baixa em Chicago. O primeiro contrato recuou para US$ 3,56 por bushel (25,4 quilos), 0,3% menos.

Suínos As exportações dos quatro primeiros meses deste ano somaram 135 mil toneladas, 14% menos do que em igual período do ano passado. As receitas recuaram para US$ 320 milhões, 23% menos, segundo a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal).

Fonte: Folha

14/05/2015 02h00