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Vaivém – Ministro Blairo Maggi viaja para resgatar imagem da carne

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O ministro da Agricultura Blairo Maggi durante coletiva para falar sobre a crise da carne

O ministro da Agricultura Blairo Maggi durante coletiva para falar sobre a crise da carne

A relação entre o Brasil e os países importadores de carnes está praticamente resolvida, após o cenário conturbado deixado pela Operação Carne Fraca da Polícia Federal, realizada em março.

Mas a imagem do produto brasileiro acabou sendo prejudicada em algumas regiões, e falta ainda uma ação de convencimento dos consumidores desses países importadores de que a carne brasileira é boa.

A avaliação é do ministro da Agricultura Blairo Maggi, que deverá visitar vários países com esse intuito a partir do fim desta semana.

Os países que ainda estão com as portas fechadas para o produto brasileiro representam pouco das exportações nacionais de proteínas, afirma Blairo.

Um dos executivos do setor de carnes diz que essa ação é necessária. A população dos países importado- res de proteínas brasileiras recebeu uma carga muito exagerada de informações negativas sobre a qualidade do produto nacional, afirma.

EXPORTAÇÕES

Os números de exportações de carnes da primeira semana deste mês mostram um avanço no volume vendido. A maior recuperação fica com a carne bovina, a que tinha perdido mais.

Os números da Secex (Secretaria de Comércio Exterior) indicam que as vendas externas de carne bovina deste início de mês superam em 19% as de abril.

Já as exportações de carne suína subiram 8%, enquanto as de frango, que tiveram pouca redução nas semanas anteriores, se mantiveram.

Os preços de negociações continuam favoráveis ao Brasil. Neste mês, se mantiveram no mesmo patamar dos de abril, mas superam os de maio de 2016.

A maior evolução fica para a carne suína, que está sendo negociada a um valor 32% superior ao de 2016. Já as carne bovina e de frango subiram 6% e 13%, respectivamente, aponta a Secex.

MILHO

A safra de inverno tem bom desenvolvimento, segundo a consultoria Céleres. A área semeada será de 11,3 milhões de hectares, 9% mais que em 2016. A produtividade será de 5,65 toneladas por hectare.

SOJA

Após um período de quedas, devido à boa safra na América do Sul, os preços da soja estão melhores. O motivo é o excesso de umidade nas lavouras das principais regiões produtoras dos EUA.

PRODUÇÃO

A safra 2016/17 brasileira de soja deverá atingir o recorde de 114 milhões de toneladas, 17% mais do que a anterior. A produtividade será de 3,36 toneladas por hectare, aponta a Céleres.

PECUÁRIA

O confinamento de gado deverá recuar 7% em Mato Grosso, segundo a Acrimat (associação dos pecuaristas do Estado). As incertezas do mercado influenciam a decisão dos pecuaristas.

BIOINSETICIDA

Mauro Zafalon/Follhapress

Milho na carroceria de caminhão em lavoura de milho no norte do Paraná

Milho na carroceria de caminhão em lavoura de milho no norte do Paraná

Uma das principais pragas encontradas pelos produtores nas lavouras de milho, a lagarta-do-cartucho vai ter um novo inimigo a partir deste ano.

A lagarta é voraz e avança também sobre as culturas de soja, sorgo, algodão e hortaliças. Causa sérios prejuízos à produtividade quando não atacada adequadamente.

A Embrapa Milho e Sorgo, de Minas Gerais, e o grupo Vitae Rural lançam o primeiro inseticida à base de Baculovirus spodoptera, o CartuchoVIT.

Fernando Valicente, pesquisador da Embrapa, afirma que os baculovírus são agentes de controle biológicos que não causam danos à saúde humana, não matam os inimigos naturais das pragas e não contaminam o ambiente.

Uma das vantagens desse bioinseticida é o pequeno número de aplicações nas lavouras, apenas duas, dependendo da região.

Para Valicente, "o produtor deve verificar o histórico da praga na região, e a primeira aplicação deverá ser feita entre 10 e 12 dias após a planta emergir. A segunda, uma semana depois".

A lagarta, ao devorar a folha da planta, diminui a área de fotossíntese, reduzindo a produtividade. Se o combate não for bem-feito, a praga poderá provocar uma perda de 35% a 40% na produtividade da planta.

A ação do bioinseticida depende, no entanto, de uma ação integrada do controle de pragas pelo produtor. Área de refúgio, no caso de plantas transgênicas, e a hora adequada para as aplicações.

"É importante que o produtor saiba posicionar o produto", diz Valicente. O pesquisador recomenda que a aplicação seja feita no final da tarde, uma vez que a lagarta tem hábitos noturnos.

As avaliações da Embrapa mostraram que o bioinseticida elimina de 75% a 95% das lagartas-de-cartucho com até cinco dias de vida.

A morte da praga se dá porque a lagarta raspa as folhas, passa por um processo de infecção e, a partir daí, se alimenta menos.

Pedro Ladeira/Folhapress

Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pela Folha, soma 40 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

Fonte : Folha