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Vaivém: Milho precisa de boas notícias para vencer soja

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Os dados do relatório de oferta e demanda de grãos deste mês do Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), divulgado nesta segunda-feira (10), foram favoráveis ao milho.

Na avaliação do órgão norte-americano, a safra do cereal, prevista em 367,7 milhões de toneladas no mês passado, deverá ficar em 365,9 milhões em 2014/15, conforme nova avaliação.

"E é bem isso o que o mercado de milho precisa. Dados que façam com que o cereal suba mais do que a soja", diz Daniele Siqueira, analista da AgRural, de Curitiba.

A relação de preços da soja está mais favorável do que a do milho. Se não houver uma reação dos preços do cereal, os norte-americanos poderão elevar ainda mais a área de soja em 2015.

Editoria de arte/Folhapress

Mais uma safra recorde da oleaginosa elevaria os estoques e derrubaria ainda mais os preços do produto no mercado externo.

Se esse cenário de maior produção de soja se confirmar nos Estados Unidos -e o Brasil também vem obtendo safra recorde-, os produtores brasileiros serão afetados por uma redução de preços da commodity.

Daniele diz que as estimativas do Usda para o milho contrariaram o mercado, que esperava uma elevação dos dados da produção. A estimativa menor ocorre porque o governo norte-americano agora prevê 181,4 sacas por hectare, abaixo das 182,2 previstas anteriormente.

Ao contrário do milho, a safra de soja deverá subir. Os novos números do Usda indicam o recorde de 107,7 milhões de toneladas, ante os 106,9 milhões previstos no mês anterior.

Nesse caso, o aumento ocorre porque a produtividade da soja foi elevada para 53,2 sacas por hectare, acima das 52,8 previstas anteriormente, segundo Daniele.

O Usda não mexeu nas estimativas de produção de soja de 2014/15 do Brasil -94 milhões de toneladas- e da Argentina -55 milhões.

Com a melhora de produção nos Estados Unidos, a safra mundial vai a 312,1 milhões de toneladas, 9% mais do que no ano passado.

Já a produção mundial de milho recua para 990,3 milhões de toneladas, ante 990,7 milhões previstos no mês passado. A produção brasileira será de 75 milhões de toneladas, aponta o Usda.

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É bom não ocorrer As exportações de soja recuaram drasticamente neste mês. Com base no resultado dos cinco primeiros dias úteis da balança, as exportações da oleaginosas deverão render apenas US$ 70 milhões.

Quanto foi No ano passado, as exportações de novembro somaram US$ 350 milhões. Ou seja, neste mês a soja teria uma participação muito pequena na balança.

Caminhos diversos 1 Os novos números de alta de produção de grãos nos Estados Unidos provocaram uma queda de 1,2% nos preços da soja na Bolsa de Chicago.

Caminhos diversos 2 Já o milho, devido à previsão de safra menor, subiu 0,5%.

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Syngenta entra no mercado de pastagens

A Syngenta entra no setor de pastagens, com a atuação em duas frentes. Em uma delas, vai atuar no tratamento de sementes, com o lançamento de um inseticida e de um fungicida.

Esse tratamento, além de permitir maior germinação, elimina a migração de pragas de uma região para outra.

A outra área que a Syngenta vai atuar é a de proteção de cultivos. O objetivo é o combate à cigarrinha, uma das grandes pragas das áreas de pastagens no país.

Por ora, a empresa fica com esses dois programas de atuação. Esse mercado, pelo tamanho, não deixa de ser interessante até para o lançamento de sementes, avalia Túlio Teodoro, gerente de novos negócios da Syngenta.

Os movimentos interno e externo desse mercado atingem R$ 1,5 bilhão por ano, segundo ele.

 

Fonte: Folha

11/11/2014 02h00