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Vaivém – Mercado mundial de carne bovina passa por incertezas, segundo banco

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Colina, SP. 06/01/2016 - Boi 777. Nova forma de criação de gado permite engorda mais rápida. Gado da raça nelore criado no Polo de Pesquisa Alta Mogiana, em Colina, SP, onde a nova técnica esta sendo desenvolvida. Estudo desenvolvido no interior de São Paulo acelera o abate de bois em até um ano. O chamado boi 777 é resultado de um conjunto de medidas tomadas no pasto para deixar o gado pronto para ser abatido em até dois anos, um ano antes do método tradicional. Foto: Pierre Duarte/Folhapress **EXCLUSIVO/FSP**ESPECIAL**

Gado da raça nelore no interior de SP

O mercado mundial de carne bovina passa por uma série de incertezas.

Enquanto no maior produtor mundial, os Estados Unidos, a produção e a exportação aumentam, um avanço da gripe aviária poderia mudar o quadro desse mercado.

Já o Brasil, o principal exportador mundial de carne bovina, passa por um novo ciclo pecuário e sofre os efeitos da Operação Carne Fraca da Polícia Federal.

Essa situação de mercado nos dois principais participantes do mundo no setor de carne bovina poderá provocar uma pressão futura nos preços da proteína.

Esse é um cenário traçado pelo Rabobank, uma instituição financeira voltada para o agronegócio.

Além de Brasil e Estados Unidos, outros mercados importantes na exportação ou importação também passam por mudanças.

A pressão nos Estados Unidos vem da ocorrência da gripe aviária. Os norte-americanos são os maiores produtores mundiais de carne de frango, e um avanço da doença por vários Estados frearia ainda mais as exportações dessa proteína, deixando um volume maior de carnes no mercado interno.

Uma das consequências seria uma interferência nos preços internos das demais proteínas.

O setor de carnes dos Estados Unidos poderá ser afetado ainda, no médio prazo, pelas decisões a serem tomadas pelo presidente Donald Trump nas negociações com o Nafta (acordo que engloba os países da América do Norte) e com a China.

Já o Brasil, ainda sob o feito da restrição de alguns países de importar carne bovina do país, devido à operação da PF, vai ter um corte na produção nas próximas semanas.

Com estoques altos, as empresas deram férias coletivas em vários frigoríficos.

O Rabobank espera uma mudança do ciclo pecuário no Brasil neste ano. Uma das consequências é o aumento de abates de vacas e maior oferta de carne. Na sequência, vem redução de preços.

O México, um dos participantes do Nafta e grande fornecedor de gado para os Estados Unidos, já avalia outros mercados.

No primeiro bimestre, no entanto, as exportações de carne dos mexicanos para os americanos subiram 13%, enquanto as de gado aumentaram 34%.

O Japão, um dos principais importadores de carne bovina, está com produção menor, mas também há queda no consumo.

Nos últimos anos caiu o número de trabalhadores que se dedicam à criação de gado, enquanto o rebanho recuou para 2,5 milhões de cabeças, ante 2,9 milhões em 2009.

Elevação dos custos de produção e envelhecimento dos trabalhadores rurais cooperaram para essa redução no Japão, segundo os técnicos do Rabobank.

O Canadá vive um mercado confuso e complexo. Tem aumento de rebanho, mas isso não reflete na alta da produção de carne. Podem estar recompondo o rebanho.

A União Europeia tem aumento de produção e de consumo, o que permite uma elevação dos preços. Além disso, a perda de valor do euro facilita as exportações feitas pelo bloco.

A Austrália, um importante país produtor de carne bovina, está com quedas na produção e na exportação.

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Gerenciamento – Pedro Valente, diretor da Amaggi Agro, grupo que planta 314 mil hectares, diz que o produtor tem de fazer gerenciamento de custos e de margens.

Sem adivinhar – Não adianta tentar adivinhar o preço do produto porque este é o mercado que dá, afirma ele.

Exportações – As exportações brasileiras de soja podem chegar a 60 milhões de toneladas no ano comercial 2017/18, superando em 15% o volume do ano anterior.

Esmagamento – Os dados são da Safras & Mercado, que prevê também um aumento do esmagamento para 41 milhões de toneladas.

Café – O café arábica tipo 6 foi negociado, em média, a R$ 485,91 por saca para o produto colocado na capital paulista.

Café 2 – É o menor preço, em termos reais, desde março de 2016, segundo acompanhamento do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

Pierre Duarte /Folhapress

Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pela Folha, soma 40 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

Fonte : Folha