Vaivém – Menos intervencionismo impulsiona agronegócio argentino

Santa Fé, Argentina, 00-04-2009: Gado em pasto na região de Santa Fé, na Argentina; pecuária da América do Sul e da Oceania, as principais regiões produtoras, vive situação de desestruturação. (Foto: Mauro Zafalon/Folhapress)

Gado bovino em propriedade rural na Argentina

Este poderá ser o ano do renascimento do agronegócio da Argentina. Ele será dirigido mais pelas forças de mercado, como oferta e demanda, do que por interferências governamentais, o que vinha ocorrendo em anos recentes.

Além disso, a eliminação de tarifas de exportação —ou reduções, em alguns casos— e a remoção de restrições às vendas externas vão dar novo ânimo ao setor.

Outro fator positivo para o agronegócio argentino é a taxa de câmbio. Mais favorável, dará competitividade aos produtos do país no exterior.

Essas conclusões são de um estudo do Rabobank, instituição financeira voltada para o agronegócio.

O alento ao setor agropecuário na Argentina vem das medidas de abertura do governo, da menor interferência no mercado e da busca de incremento nos negócios.

Os resultados dessa nova política já aparecem nos números do setor. As áreas de milho e de trigo deste ano são 29% e 26%, respectivamente, maiores do que as de 2016.

A área de trigo sobe para 4,9 milhões de hectares, e a de milho, para 4,5 milhões. Esses produtos agora estão isentos de taxas de exportação.

Já a soja, cuja taxa foi reduzida de 35% para 30%, praticamente manterá a mesma área, que soma 19,3 milhões de hectares neste ano. Mesmo com a alíquota em 30%, o produto é competitivo.

CARNE

A carne bovina também é beneficiada pela política atual do governo. O fim da taxa de 15% nas exportações já permite uma retenção maior de fêmeas, o que significa um número maior de bezerros e, consequentemente, maior oferta de carne nos próximos anos no país.

Apostando na boa fama da carne argentina no exterior e buscando novos mercados —como o de carne fresca nos EUA—, os argentinos devem elevar as vendas externas já a partir deste ano.

O Rabobank prevê exportações de 342 mil toneladas de carne bovina neste ano. Um volume ainda distante das 621 mil toneladas de 2009, mas já bem melhor do que as 164 mil de 2012.

O banco prevê grande potencial de desenvolvimento da agropecuária argentina, tendo em vista essas mudanças de política econômica. O produtor, que esteve olhando apenas para o curto prazo em busca de sobrevivência, agora deverá voltar a investir e a adotar práticas agrícolas que reforçam a produção, na avaliação do banco.

A rotação de culturas, saudável para a produtividade, deverá ser intensificada. A soja deixa de ser uma das poucas opções viáveis de produção, dando espaço também para outras culturas.

A oleaginosa ganhou espaço nos últimos anos devido à demanda externa e aos preços favoráveis.

O aumento de área deste ano deverá apontar para produção recorde na Argentina, mas ainda é difícil uma estimativa de produtividade, devido a fatores climáticos, segundo analistas do Rabobank. A produtividade poderá cair de 10% a 15%, mas o aumento de área deverá compensar essa perda.

Na área macroeconômica, o governo ainda tem de combater uma inflação elevada, que deverá estar em 21% no fim deste ano.

A evolução do PIB também não aponta para grandes melhoras, principalmente porque o Brasil, principal parceiro comercial da Argentina, também está com uma economia combalida.

Momento favorável A balança comercial do agronegócio continua favorável. Apenas o fumo tem redução de preço nos valores de exportação deste mês, em relação a igual período de 2016.

SOJA

Os preços atuais superam em 13% os de março de 2016, segundo dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior). Em relação a fevereiro, há queda de 1%.

AÇÚCAR

Outro produto de destaque neste início de ano é o açúcar, cujos preços atuais superam em 47% os de há um ano —açúcar bruto.

CARNES

Os preços das carnes também superam os de há um ano. A alta da carne suína é de 40%, enquanto o preço do frango "in natura" sobe 23%, e o da bovina, 11%.

BOI GORDO

No dia 21 ocorre novo leilão das fazendas que pertencem à massa falida Boi Gordo, feito pela empresa Lut. O valor é de R$ 315 milhões pelos 131 mil hectares.

NOVO LEILÃO

Se não houver comprador, será efetuado outro leilão no dia 29, com as fazendas divididas.

Mauro Zafalon/Folhapress

Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pela Folha, soma 40 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

Fonte : Folha