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Vaivém: Marcha a ré

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Com retração nas vendas, empresas do setor máquinas e equipamentos agrícolas fazem ajustes, mas sem perder de vista o programa de investimentos no longo prazo

29/11/2014 02h00

Após um período de vacas gordas em 2013, o setor de máquinas e equipamentos agrícolas não conseguiu repetir o feito neste. Pior, não há sinais claros de recuperação também para o próximo.

Resta às indústrias fazer ajustes para segurar custos diante dessa contenção de demanda e redução das vendas. "É uma situação pontual e que não vai interferir nos objetivos de médio e longo prazos", afirma Alessandro Maritano, vice-presidente da New Holland.

Os investimentos programados continuam, uma vez que o Brasil tem grande potencial para fornecer os alimentos de que o mundo vai precisar, afirma ele.

Os olhares da empresa estão voltados para a América Latina e os países asiáticos, como China e Índia. A América Latina deverá representar até 25% dos investimentos da empresa nos próximos anos.

O carro-chefe do Brasil é a soja, o produto mais representativo do agronegócio em área, produção e exportação. A diversidade da agropecuária brasileira, no entanto, abre um leque de opções para as indústrias brasileiras.

Se a situação não se apresenta bem em alguns produtos, como ocorre com o milho, vai bem em outros, segundo Maritano. Entre os setores que vão bem e podem ter demanda de máquinas e equipamentos estão arroz, café e pecuária.

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A New Holland aposta muito também no setor sucroenergético. Neste momento o setor não vai bem, mas a geração de energia terá grande desenvolvimento.

Uma das reduções de custos da empresa será um controle melhor dos estoques, tanto nas fábricas como nas revendas. Um estoque elevado traz custos financeiros para ambas.

No ano passado, a demanda foi tão grande que as indústrias tiveram dificuldades para um atendimento imediato. As vendas atingiram o recorde de 65,2 mil tratores e de 8.545 colheitadeiras. Um ano atípico em relação às 55,8 mil e 6.300 unidades, respectivamente, de 2012.

O crescimento de 2013 ocorreu devido à aceleração do volume de grãos produzido no país, bem como pelas taxas de juros favoráveis.

As condições de 2013 continuam, com o país tendo boa safra e juros ainda favoráveis à agricultura. O cenário de preços, no entanto, é outro.

A recomposição mundial de estoques e a safra recorde dos Estados Unidos deste ano provocam uma queda nos preços dos grãos, afetando a renda dos produtores.

Como a safra dos norte-americanos praticamente está nos armazéns ou a caminho da China, uma alteração mais intensa de preços só viria com quebra de produção na América do Sul.

Se isso ocorrer, os produtores brasileiros vão assistir a uma alta de preços, mas sem produtos para vender.

O desafio para as empresas de máquinas é tomar medidas de curto prazo para superar esse período de queda.

Maritano diz que o grande desafio é oferecer uma solução de mecanização para o produtor de maneira que ele maximize a produção, obtenha renda e reduza custos.

A solução é oferecer ao produtor um investimento que traga resultados, e não gastos, diz o executivo. Por isso, a empresa continua investindo na agricultura de precisão e
buscando parceiras para atender mais rapidamente à necessidade do produtor.

Fonte: Folha |