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Vaivém: JBS traz alegria na soja e preocupação na pecuária

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Colheita de soja em fazenda a cerca de 215 km do município de Paranatinga (MT)

Colheita de soja em fazenda a cerca de 215 km do município de Paranatinga (MT)

26/05/2017 02h00

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O conteúdo da delação dos executivos da JBS influencia o mercado de commodities há uma semana. Trouxe um pouco de alegria aos produtores de soja, mas provoca sérias preocupações nos do setor de carnes.

Desde o dia da divulgação da delação, os preços internos da soja subiram 2,4%. Já os da arroba de boi recuaram 4,4%.

A soja ganhou preço devido ao aprofundamento da crise política nacional. As incertezas pressionaram o dólar, que tornou o produto brasileiro mais competitivo no mercado externo e impulsionou os preços internos.

Não fosse essa alta da moeda norte-americana, os preços internos da soja estariam em queda livre.

A Bolsa de Chicago, onde basicamente são definidos os valores internacionais do produto, registrou o menor preço para a soja nos últimos 13 meses nesta quinta-feira (25), quando comparados os preços do contrato de julho do mercado futuro.

Já os pecuaristas não têm a mesma sorte. Pelo fato de a JBS ser a principal empresa de carnes do Brasil e do mundo, a delação dos executivos trouxe preocupações ao setor.

A empresa levou adiante uma política de compra de bois apenas com pagamento a prazo (30 dias). O cenário atual da política e da economia brasileiras não deixa o pecuarista tranquilo com essas vendas.

O mercado travou, e produtores de algumas regiões resolveram não vender a prazo. A escala de compras —o período de abate que os frigoríficos têm garantido para os próximos dias— vai encurtar.

NEUTRALIZAÇÃO

"A crise interna, que provocou a elevação do dólar, neutralizou os efeitos de baixa da soja em Chicago", diz Daniele Siqueira, da AgRural.

As vendas da oleaginosa vêm melhorando, mas o percentual de comercialização deste mês deverá ser inferior ao da média dos últimos cinco anos, segundo ela.

Antes de conhecer o conteúdo da delação dos executivos da JBS, o mercado negociava a soja a R$ 62 por saca na quarta-feira (17), em Cascavel (PR). No dia seguinte, o preço subiu para R$ 64,5.

Nesta quinta-feira, apesar de a soja cair para até US$ 9,3835 por bushel (27,2 quilos) em Chicago, o menor valor desde abril de 2016, a saca se manteve em R$ 63,50 em Cascavel.

Já os pecuaristas vinham negociando a arroba de boi a R$ 137 no dia 17, antes da divulgação da delação de Joesley Batista. No dia seguinte, o preço recuou para R$ 136; nesta quinta-feira já estava em R$ 131, segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

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Juntas – Vedetes do momento no setor agrícola, as empresas voltadas para a agricultura de precisão começam a se fundir para ganhar musculatura no mercado. Seguem o padrão de união de empresas de outros segmentos agrícolas.

À espera – Desta vez a americana Trimble adquiriu a alemã Müller-Elektronik. As empresas, que aguardam a aprovação dos órgãos competentes para a união, são especializadas em controle de equipamentos e soluções para a agricultura de precisão.

Café – A colheita da safra 2017/18 atinge 15% do volume a ser colhido. Números da Safras & Mercado indicam que os produtores já colocaram 7,4 milhões de sacas nos armazéns nete ano. O volume de produção previsto para a safra toda é de 51 milhões de sacas.

Boi em pé – O governo de Mato Grosso está disposto a reduzir a taxa de ICMS do gado vivo que sai pelas fronteiras do Estado em até 2,5%. Os pecuaristas querem uma alíquota zerada neste período de tempos incertos devido a eventuais problemas da JBS, maior compradora da região. A empresa deixou de fazer pagamento à vista pelo gado adquirido.

Umidade – A evolução da safra está sendo prejudicada por chuva, que dificulta a retirada do produto das lavouras, e por umidade, que que prejudica a secagem do produto.

Ainda cedo – Apesar desses empecilhos, Gil Barabach, consultor da Safras, diz que é cedo para se falar em perdas. Pode haver, porém, perda de qualidade para o café que caiu no chão.

Carnes – Os Estados Unidos produziram 7,6 milhões de carnes vermelhas no primeiro quadrimestre deste ano, segundo o Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

Acima – O mercado continua favorável para o setor no país. A produção supera em 3% a de igual período de 2017. A principal evolução ocorreu nos setor de bovinos, em que o crescimento foi de 5% no período. A produção de carne suína subiu 2%.

Fonte: Folha

Vaivém das Commodities

Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pela Folha, soma 40 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

Paulo Muzzolon/Folhapress