.........

Vaivém – Gestão é chave para futuro do produtor rural

.........

Mais opções
O momento atual é de cautela para o setor agropecuário, mas um olhar um pouco mais para o futuro também aponta desafios. Ele vai ter de adotar profundas mudanças na gestão de seus negócios.

Em 2015, o produtor passa por incertezas de preços das commodities, alta de juros e elevação da taxa de câmbio.

Para os próximos anos, eles terão de repensar o sistema de produção e adotar a integração lavoura, pecuária e floresta, além de outras atividades, como a piscicultura.

Essa multiplicidade de cultura minimiza os riscos, além de permitir uma movimentação contínua do caixa, com mais entradas de dinheiro.

Esse foi um dos assuntos discutidos em encontro do setor de agronegócio promovido pela Abag (Associação Brasileira do Agronegócio), nesta segunda (3). O evento continua nesta terça (4).

Alexandre Mendonça de Barros, da MB Agro, cita por exemplo que a carne bovina, em uma linha de tempo de 150 anos, foi o único produto a subir de preços.

Neste momento, as proteínas são um dos setores que menos perdem preços, devido à forte demanda externa e interna.

Já o setor de grãos vive a ressaca da recuperação da produção e dos estoques.

A integração dessas diversas culturas pode trazer nova estabilidade econômica e sustentabilidade para o setor.

Paulo Herrmann, da John Deere, diz que esse novo sistema trará uma complexidade para a agropecuária.

Uma das saídas é utilizar a extensão rural para levar os conhecimentos desse novo sistema para a prática nas fazendas. O problema é que a extensão rural pública não funciona, o que vai exigir uma participação do setor privado nessas operações.

JUROS

A alta da taxa de juros nos EUA, ainda não decidida, vai apimentar mais a volatilidade do câmbio, diz Alexandre Enrico Silva Figliolino, do Itaú BBA. "O produtor precisa olhar a gestão com carinho."

As discussões no encontro apontaram também para os estoques. A Ásia, aproveitando a baixa de preços das commodities, eleva as compras e aumenta os estoques.

A compra do produto brasileiro pelos importadores é facilitada também pelas características da comercialização no país.

Um aumento da estocagem na propriedade permitiria o produtor fazer mais hedge e evitar o período de logística com preço alto, diz Ingo Plöger, do IP Desenvolvimento Empresarial e Institucional.

Na avaliação de Luiz Carlos Corrêa Carvalho, da Abag, o médio produtor vai ter de fazer estoques para evitar quedas nos preços.

*

Exportação de frango volta a atingir recorde em julho

Após ter atingido recorde em junho, as exportações de carne de frango voltam a subir em julho.

As vendas externas do produto "in natura" somaram 410 mil toneladas no mês passado, 10% mais do que o volume de junho.

As receitas, mesmo com a queda dos preços médios do produto, subiram para US$ 685 milhões, 8% mais do que no mês anterior.

As exportações de carne bovina "in natura" permaneceram estáveis em 90,5 mil toneladas no mês passado, enquanto a de suínos subiu para 55 mil toneladas, 34% mais do que em junho.

As exportações de soja continuam elevadas, somando 8,4 milhões de toneladas, mas, o que é normal para este período do ano, caiu 14% em relação a junho.

As exportações de açúcar também sobem em volume, atingindo 1,95 milhão de toneladas do produto em bruto em julho. As receitas subiram 25%, para US$ 597 milhões no mês passado.

Ao contrário da soja, a exportação de milho subiu para 1,28 milhão de toneladas, 116% mais do que em 2014.

*

Menos banco O ambiente atual é de maior avaliação de riscos. Com isso, o sistema de crédito para a agricultura deverá ter um peso menor do sistema financeiro neste ano, segundo Alexandre Enrico Silva Figliolino, do Itaú BBA.

Mais trading Mas ele considera que haverá participação maior do crédito das tradings, das empresas de insumo e das operações de trocas.

De olho no estoque A China tem estoque de algodão correspondente a um ano de consumo; 90 mil toneladas de milho -44% do consumo- e volume elevado de arroz.

Volatilidade Os chineses aproveitaram os preços baixos das commodities para recompor os estoques, segundo André Pessôa, da Agroconsult.

Etanol O crédito destinado pelo Plano Safra para a estocagem de etanol ainda não chegou ao setor. E esse recurso é necessário para dar equilíbrio na oferta, segundo Jacyr Costa Filho, da Teréos.

Oferta Se houver um atraso no recurso, vai acabar a safra e o setor não estocou o etanol. Se estocar, o preço sobe um pouco, mas garante o suprimento, segundo Costa Filho.

Desestímulo Sem o recurso, há um desestímulo à produção e um estímulo ao consumo. Não garante suprimento, no entanto, na entressafra.

Gasolina A estocagem evita o sobressalto dos preços do etanol na entressafra e evita a troca do combustível por gasolina, exigindo maior importação do derivado do petróleo.

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pela Folha, soma mais de 38 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

Fonte : Folha