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Vaivém – Geada, seca e área menor derrubam safra de trigo em 19% no Paraná

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trigo no norte do Paraná, Estado que é o maior produtor nacional

trigo no norte do Paraná, Estado que é o maior produtor nacional

Paraná e Rio Grande do Sul, os dois principais Estados produtores de trigo do país, podem não atingir o patamar de 5 milhões de toneladas neste ano. No ano passado, obtiveram 6 milhões.

Geada, falta de chuva e área menor são os principais componentes dessa queda. O Paraná, maior produtor nacional, revisou os dados de produção pela primeira vez depois das geadas ocorridas no Estado neste mês.

Os novos números apontam para uma safra de 2,82 milhões de toneladas. As estimativas anteriores indicavam 3,1 milhões de toneladas.

Para Carlos Hugo Goodinho, engenheiro-agrônomo do Deral (Departamento de Economia Rural) do Paraná, essa quebra pode se acentuar ainda mais.

Além da dificuldade de se quantificar os efeitos das recentes geadas, há a predominância de um clima seco.

"Isso gera dúvidas sobre o tamanho das perdas", diz.

O clima também é um fator de preocupação no Rio Grande do Sul, o segundo maior produtor nacional de trigo, segundo Cláudio Dóro, assistente técnico da Emater/RS de Passo Fundo (RS).

As lavouras gaúchas sofreram os efeitos de três geadas consecutivas, que queimaram parte da superfície das plantas. Agora, sofrem as consequências da falta da umidade.

Os produtores deveriam estar cuidando das lavouras, com aplicações de herbicidas, fungicidas e complementação de fertilização, mas não conseguem devido à baixa umidade do solo.

Após passar por um período de -3ºC, as lavouras sofrem os efeitos de temperaturas de 27ºC por longas horas durante o dia.

"Se não chover, e chover bem, a produtividade do trigo, estimada em 2.482 quilos por hectare, deverá recuar", afirma Dóro.

O Rio Grande do Sul semeou 727,7 mil hectares com trigo e espera uma produção de 1,8 milhão de toneladas de trigo.

Paraná e Rio Grande do Sul diferem um pouco nos métodos de previsão de produtividade. Os gaúchos partem de uma média conservadora, enquanto os paranaenses estimam o potencial total da safra.

Ou seja, os gaúchos partem de um mínimo de produtividade e vão reajustando a safra para cima —se tudo der certo. Já os paranaenses partem de um potencial máximo e vão reajustando a safra para baixa, se houver problemas na produção.

Godinho diz que "as lavouras não estão ruins, mas precisam de chuva". No Paraná, já são 40 dias sem chover.

O Deral reajustou os dados da área cultivada com trigo no Estado. As novas estimativas indicam 956 mil hectares, abaixo dos 977 mil previstos no mês anterior.

MERCADO

A quebra de produção de trigo, provocada pela geada, já foi assimilada pelo mercado, acredita Godinho. A saca do cereal está em R$ 36 no Paraná.

Esse valor é inferior ao preço mínimo estabelecido pelo governo e ao custo variável médio de produção.

Se for consolidada a quebra de safra no Brasil, o país terá de importar ainda mais trigo da Argentina.

Os produtores do país vizinho devem produzir 18,4 milhões de toneladas neste ano, segundo dados do governo. Consultorias privadas indicam um número um pouco menor.

Na avaliação de Godinho, ainda é cedo para uma estimativa de safra nos demais países do Mercosul. Os argentinos e paraguaios também têm problemas climáticos, e isso pode levar a uma redução de área nessas regiões.

Isso ocorrendo, os preços do trigo devem ficar mais firmes, segundo o engenheiro-agrônomo do Deral.

O consumo brasileiro de trigo deverá atingir 11,7 milhões de toneladas neste ano. O país terá de importar pelo menos 7 milhões de toneladas para completar a demanda interna, segundo estimativas da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).

A produção mundial de trigo recua para 738 milhões de toneladas na safra 2017/18, segundo informações do Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

A Argentina terá 17,5 milhões de toneladas, enquanto Austrália e Canadá ficam com 25 milhões e 28 milhões, respectivamente, segundo o órgão do governo dos EUA.

Os três países são grandes exportadores de trigo.

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Grãos – A produção de grãos do Paraná sobe para 42,6 milhões de toneladas na safra 2016/17. O volume supera em 21% o do período anterior, conforme dados do Deral.

Recorde – Marcelo Garrido, economista do Deral, diz que "a evolução se deve à produtividade recorde no Estado, principalmente as de soja e de milho.

Soja – Os produtores paranaenses colheram, em média, 3.735 quilos de soja por hectare, 19% mais do que na safra anterior. "É o maior volume desde os 3.423 quilos de 2011, diz Garrido.

Milho – O Paraná obteve recorde também na produtividade médio de milho. Na primeira safra, a de verão, os paranaenses conseguiram 9.539 quilos por hectare, 19% mais. Já na segunda safra, a de inverno, a produtividade foi de 5.677 quilos por hectare, 22% mais.

Números – A produção de soja e de milho somam 38,2 milhões de toneladas neste ano, 90% do total de grãos colhidos no Paraná.

Café – A colheita 2017/18 chegou a 73% nesta semana, segundo a consultoria Safras & Mercado. A estimativa de produção total do país é de 51 milhões de sacas.

Mauro Zafalon/Folhapress

Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pela Folha, soma 40 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

Fonte : Folha