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Vaivém: Feijão sobe, e setor busca novas variedades

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O mercado de feijão vive de sobressaltos e neste final de ano deverá ocorrer mais um. Pesquisa de preços diária realizada pela Folha aponta nova aceleração de preços, com a saca já atingindo até R$ 150 em algumas regiões produtoras. Os preços médios atuais estão em R$ 135 por saca, com alta de 26% em uma semana.

Marcelo Lüders, analista da corretora Correpar, diz que os bons preços do produto em 2013, quando o feijão perdeu área para a soja, incentivaram o plantio.

A produção aumentou e o governo reajustou o preço mínimo para R$ 95 por saca, mas teve pouca ação para enxugar o excesso do mercado.

O resultado foi uma queda nos preços da leguminosa e um desestímulo ao plantio já na terceira safra deste ano. Além dessa redução, a cultura foi afetada também por problemas climáticos.

Com isso, não está chegando ao mercado um volume satisfatório de feijão como ocorre neste período do ano, puxando os preços para cima.

Henry Millo – 22.nov.07/“Gazeta do Povo”

Lavoura de feijão em fazenda em Ponta Grossa (PR); preços sobem 26% em uma semana

Lavoura de feijão em fazenda em Ponta Grossa (PR); preços sobem 26% em uma semana

Lüders diz que o problema é que, mesmo com elevação de preços, o consumo não recua. Na safra 2013/14 o país consumiu 3,45 milhões de toneladas de feijão, ficando na média anual de consumo dos últimos dez anos, que também foi de 3,45 milhões.

No início da década passada, o consumo era de 2,88 milhões de toneladas, aponta a Embrapa Arroz e Feijão.

O pico da demanda ocorreu em 2010/11, quando foram consumidos 3,6 milhões de toneladas. A safra inconstante, no entanto, obriga o país a importar feijão para complementar a demanda.

Mas Lüders diz que a cadeia do feijão está buscando alternativas para dar um equilíbrio melhor de oferta no mercado e evitar esse sobe e desce nos preços.

Entre as alternativas estão a produção e o incentivo para consumo de novas variedades de feijão, como o "vermelho", o "jalo" e o "rajado".

Essas novas variedades, já na mira da Embrapa e do IAC (Instituto Agronômico), permitiriam ao país se inserir mais no mercado externo, exportando o excesso e importando no período de falta.

Lüders diz que hoje o consumidor brasileiro está muito preso no feijão "carioquinha", um produto tipicamente brasileiro. Além da dificuldade para exportar esse feijão, em período de excesso de produção, há dificuldades na importação.

Para Lüders, essas novas variedades são importantes porque estudos indicam que o consumo de feijão, ao contrário do que se imagina, vem crescendo.

A oferta de novas variedades vai gerar demanda maior, ampliação de área de plantio e preços mais acessíveis aos consumidores. Além disso, o governo destinará menos subsídios para garantir o produto no mercado. Toda a cadeia ganha, conclui.

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Nova alta A escalada de preços do boi gordo continua, e a arroba subiu para R$ 146 nesta quarta-feira (3) no mercado paulista. Ao atingir esse valor, a arroba acumula alta de 30% em relação aos preços de há um ano.

Resistência Os dados são da Informa Economics FNP, que aponta uma resistência dos frigoríficos em pagar esse valor porque não estão seguros de conseguir repassar essas altas para o atacado.

Nova Queda Ao contrário do boi, o preço do frango mantém queda nas granjas paulistas. Pesquisa da Folha indicou que o quilo de ave viva caiu para R$ 2,40 nesta quarta-feira (3).

Em 12 meses Ao recuar para esse valor, o frango voltou aos preços da primeira quinzena de agosto. Os valores atuais apresentam queda (sem descontar a inflação) de 4% em relação a igual período do ano passado.

Máquinas Diante de um cenário de preços menores para a próxima safra, os produtores brasileiros continuam reticentes em adquirir novas máquinas agrícolas. As vendas continuam, mas em ritmo bem menor.

Colheitadeiras As vendas recuaram para 587 unidades no mês passado, 37% menos do que em 2013. No acumulado do ano, a comercialização foi de 5.685 unidades, 22% menos do que de janeiro a novembro de 2013.

Estável O setor de tratores, embora também em queda, tem um ritmo melhor. As indústrias venderam 4.117 unidades em novembro, 4,6% menos do que em igual período de 2013.

No ano As vendas acumuladas de tratores somaram 52,5 mil unidades, 15% menos do que as de 2013.

Renda A renda líquida dos produtores dos Estados Unidos recuará para US$ 97 bilhões no ano, 23% abaixo dos US$ 126,5 bilhões de 2013, aponta o Usda (Departamento de Agricultura dos EUA).

Ainda boa Essa é a menor renda obtida pelos produtores desde 2010, mas ainda supera em US$ 14,5 bilhões a média obtida por eles nos últimos dez anos. A renda de 2013 foi a maior desde 1973, apurou o Usda.

 

Fonte: Folha

04/12/2014 02h00