Vaivém: Exportação de soja é a única que anima nas vendas para a China

This photo taken on September 5, 2017 shows Chinese employees sorting soybeans for export in Huainan in China's eastern Anhui province. Chinese export growth slowed in August, official data showed on September 8, coming in below expectations as weak global demand weighs on the world's second largest economy. / AFP PHOTO / STR / China OUT
5.set.2017/AFP

Empregados de indústria chinesa fazem seleção de soja

A relação comercial do Brasil com o seu principal parceiro, a China, parece estar bem. As receitas brasileiras vindas do agronegócio atingiram US$ 19,8 bilhões de janeiro a setembro com o país asiático, 24% mais do que em igual período anterior.

Um olhar mais apurado para esse número mostra, contudo, que as coisas não andam tão bem. Ao contrário, o cenário é preocupante.

O Brasil avançou muito nas exportações de soja neste ano, mas perdeu espaço nas vendas de carnes, de açúcar, de cereais, de lácteos e de bebidas.

A evolução positiva das receitas neste ano vem praticamente da soja em grãos, cujo volume exportado subiu para 47,7 milhões de toneladas até setembro, 29% mais do que em igual período de 2016.

Nesse mesmo período, as receitas com a oleaginosa atingiram US$ 18 bilhões, 30% mais, conforme dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior).

A exportação de soja para a China ganha fôlego ano a ano, mas o país asiático vinha abrindo espaço também para outros importantes, como açúcar, carnes e milho.

As relações comerciais do Brasil com esses produtos, porém, começaram a esfriar. As receitas com as carnes, o segundo principal item do agronegócio exportado para a China, recuaram para US$ 1,28 bilhão neste ano, 3% menos do que no ano anterior. As quedas ocorreram com carnes de frango e suína, enquanto a bovina aumentou.

O açúcar, outro produto que ganhava espaço na lista de produto fornecidos para a China, teve queda de 76% nas receitas deste ano. Após atingir US$ 551 milhões de janeiro a setembro de 2016, elas recuaram para US$ 131 milhões neste ano.

A aposta brasileira na venda de milho também não está se confirmando. Após vender acima de 100 mil toneladas de janeiro a setembro nos anos de 2015 e de 2016, o volume recuou para menos de 10 mil neste.

A abertura da China para uma gama maior de produtos é importante para a balança comercial brasileira, que é dominada atualmente por exportações de soja e de minério de ferro.

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Plantio – Os produtores do Centro-Oeste voltaram a encontrar dificuldades para semear soja, devido ao clima seco, segundo Daniele Siqueira, da AgRural. Os que continuam o plantio, o fazem "no pó", expressão para definir o terreno seco. Se a chuva demorar, o plantio poderá ser perdido.

Abaixo – Em Mato Grosso, a semeadura de soja teve avanço na semana passada, mas ainda está em 6,27% no Estado, bem abaixo dos 16,5% de há um ano, conforme dados do Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária).

Recorde – A área a ser semeada com soja será de 9,4 milhões de hectares em Mato Grosso, um pouco acima do recorde do ano passado. A produção, porém, recua para 30,6 milhões de toneladas, 2,1% menos do que em 2016/17.

Arroz – O preço da saca do cereal caiu para R$ 36,42 no final de setembro, o menor valor, em termos reais, em dois anos. A média do mês ficou em R$ 37,33, com recuo de 5,8% em relação a agosto, segundo pesquisa do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

Fonte: Folha

Vaivém das Commodities

Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pela Folha, soma 40 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.