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Vaivém – Exportação de milho acelera, mas a preço menor

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SERTANEJA, PR, 21.07.2016: AGRICULTURA-MILHO - Milho na carroceria de caminhão em lavoura de milho no norte do Paraná. (Foto: Mauro Zafalon/Follhapress)

Colheita de milho no norte do Paraná

A exportação de soja desacelera, e os portos ficam abertos, a partir de agora, para o milho. A venda externa do cereal pode superar 2 milhões de toneladas neste mês, 265% mais do que em junho.

Já a exportação de soja, após somar 9,2 milhões de toneladas no mês passado, deve ser inferior a 7 milhões neste, tomando como base os números de vendas externas já apurados pela Secex (Secretaria de Comércio Exterior).

"O segundo semestre é o período do milho, e a exportação brasileira deste ano deverá ser recorde", diz Leonardo Sologuren, sócio-diretor da consultoria Horizon.

Apesar de a receita com a exportação não ser neste ano tão rentável como foi no anterior, o país vai ter de colocar boa parte da produção no mercado externo. "Não há demanda para todo o milho produzido", diz ele.

Sologuren estima que as exportações brasileiras de milho atinjam 30 milhões de toneladas durante 2017, superando o recorde de 29 milhões, obtido em 2015.

O cenário para o milho neste ano é bem diferente do que foi no anterior. Em 2016, a safra quebrou e o dólar estava elevado, o que garantiu renda para o produtor.

Os preços elevados animaram os agricultores, que aumentaram a área de plantio. Área maior e produtividade melhor vão garantir uma produção recorde, próxima de 100 milhões de toneladas.

A consequência são preços menores neste ano, devido tanto ao volume produzido como ao valor menor do dólar, o que torna a exportação menos atrativa.

Diante desse cenário, o plantio de milho será menor no verão, prevê Sologuren.

A rentabilidade do setor está complicada e vai depender da produtividade. "É um ano decepcionante", afirma ele.

Ruim para o produtor, bom para a indústria de carnes. O milho, com preço menor neste ano, dá mais competitividade à proteína brasileira.

Após os escândalos que vieram a público neste ano, o setor de carnes não suportaria os preços do cereal tão elevados como os do ano passado. Essa é a análise do diretor da Horizon.

A falta de um cenário de liquidez para o produtor fez com que ele postergasse as compras de insumos neste ano, tanto para a soja como para o milho de verão.

Esse atraso preocupa as indústrias, devido à concentração da entrega dos insumos no segundo semestre. Parte dos produtores vai ter dificuldades de compra neste ano. O volume de crédito é maior, mas, segundo Sologuren, não estará acessível a considerável parcela dos produtores.

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Sementes – O clima não foi favorável no ano passado, e a oferta menor de sementes para pastagens fez o preço subir 71% no Centro-Oeste. O de algumas variedades aumentou até 250%, segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

Em queda – Neste ano, a situação é outra. O clima favoreceu a produção, a oferta aumentou e os preços médios das sementes forrageiras já caem em algumas regiões. A recuperação dos pastos é importante, e a produtividade do setor passa pelo manejo das pastagens.

Degradação – Estatísticas indicam que pelo menos 70% das pastagens brasileiras apresentam algum grau de degradação.

Busca do potencial – O setor de arroz busca países importadores e o potencial de compra deles para o produto brasileiro. Com base nessa busca, o setor terá estratégias e fará estudos desses potenciais mercados, segundo a Abiarroz (associação do setor).

Feira de alimentos – A principal feira de alimentos e bebidas do mundo, a Anuga, vem ao Brasil. Realizada a cada dois anos em Colônia, na Alemanha, a Anufood Brazil, versão da feira internacional do setor de alimentos e bebidas, ocorrerá em 2019 em São Paulo.

Fortalecer negócios – Promovido pela FGV Projetos e pela Koelnmesse, o evento é dedicado a empresas da cadeia de alimentos e bebidas. O objetivo será fortalecer os negócios no mercado local e aprimorar o posicionamento dos produtos brasileiros no cenário internacional.

Soja na Europa – Os países europeus traçam metas para elevar a produção da oleaginosa no continente. O problema é que não chegam a um acordo com relação ao tipo de soja a ser produzido.

Exigência – Boa parte dos países quer produzir soja não transgênica. Alguns contestam essa exigência, uma vez que as importações são de soja transgênica.

Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pela Folha, soma 40 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

Fonte : Folha