Vaivém – Exportação de gado vivo perde ritmo no ano

10.07.15 Bois em confinamento em fazenda Rio do Sangue / MT Foto: Mauro Zafalon/Folhapress ***DIREITOS RESERVADOS. NÃO PUBLICAR SEM AUTORIZAÇÃO DO DETENTOR DOS DIREITOS AUTORAIS E DE IMAGEM*** Confinamento de gado em fazenda de Mato Grosso

Bois em confinamento em fazenda em MT; Venezuela e Líbano afetam exportação de gado vivo

O setor de exportação de boi vivo continua em ritmo lento neste ano, uma tendência já verificada nos anteriores.

Enquanto de janeiro a fevereiro de 2014 as vendas externas de gado em pé somavam 158 mil animais, as exportações deste primeiro bimestre estão em apenas 3.262 cabeças.

Interrupção de vendas para mercados importantes como os da Venezuela e Líbano e perda de competitividade do produto brasileiro devido a câmbio e elevação dos custos de exportação são alguns do problemas enfrentados pelo setor.

Do lado externo, o mercado agora vai se voltar para o Oriente Médio, diz Gastão Carvalho Filho, da Boi Branco.

Uma das saídas será a Turquia, mas algumas mudanças internas naquele país provocaram um aperto nas margens de lucro das empresas brasileiras.

Do lado interno, Carvalho diz as autoridades do Pará, principal Estado exportador de gado vivo, começam a entender a importância da agropecuária na região.

Isso vai favorecer as exportações e dar mais sustentação à agropecuária.

Ele cita como exemplo a forte queda dos preços da arroba no Estado no período em que as exportações estiveram praticamente paradas.

LICITAÇÃO

O problema da Turquia, segundo o executivo da Boi Branco, é que as compras são centralizadas pelo governo e feitas via licitação. Além disso, o governo exige que o transporte seja feito pelos próprios exportadores.

Atuar nesse setor de contratação do transporte sem conhecimento é uma complicação a mais para os exportadores.

Somam-se a isso exigências de depósitos antecipados do valor de 3% da carga, o que reduz as margens e elevam os fatores de risco da operação.

Outro empecilho para a agropecuária brasileira é que alguns países, como o Egito, passaram a importar gado para cria e recria, uma vez que encontram cereais em abundância, e com preços subsidiados, na Europa, afirma Carvalho.

"Esse setor [de exportação de gado vivo] sempre será um mercado de muita concorrência, uma vez que o Brasil disputa terreno com França, Canadá e Austrália. Mas o Brasil precisa melhorar o marketing do boi vivo brasileiro para ganhar mercado externo", diz ele.

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Agro é tudo – Ciente de que as boas notícias estão vindo do campo, o presidente Michel Temer não tem poupado tempo para acompanhar esse setor. Além de participar de vários eventos, agora vai receber a direção da FPA (Frente Parlamentar da Agropecuária), a combativa bancada ruralista, no dia 23 no Palácio do Planalto.

Agro é tudo 2 – O deputado Nilson Leitão, presidente da entidade, vai apresentar a nova diretoria, formada por 22 deputados e senadores. Aproveitará também para discutir temas como licenciamento ambiental, questão fundiária (demarcação de terras indígenas) e venda de terras para empresas com maioria do capital estrangeiro.

Queda de braço – Nas próximas duas semanas, o ritmo da colheita de arroz acelera no Rio Grande do Sul. Com a oferta maior, as indústrias querem pagar R$ 39 por saca do produto, segundo Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting.

Queda de braço 2 – Para evitar uma queda nos preços do produto neste período de boca de safra, entidades do setor estão indo a campo e recomendando aos produtores que só vendam o produto de R$ 43 a R$ 47 por saca, dependendo da região do Estado.

Pode não durar – Os produtos agropecuários estão em queda e contendo a taxa de inflação. O Índice de Produtos Agrícolas da MacroSector Consultores aponta, no entanto , um comportamento cíclico desses produtos nesse período do ano.

O retorno – Em períodos anteriores, após a intensa queda em fevereiro, o índice da MacroSector mostra que os agrícolas voltam a subir. E aí vai para o IPCA.

Demanda aquecida – A NovaProm Food Ingredients, da JBS, exportou 60 toneladas de colágeno bovino para o Sudeste Asiático no mês passado. O volume é o dobro do de toda a exportação de 2016 para a mesma região. As negociações mundiais somam 143 toneladas por mês.

Para que serve – O colágeno é usado na fabricação de remédios, cosméticos e na indústria alimentícia, principalmente na produção de embutidos. A proteína atua na textura das carnes, no enriquecimento proteico e permite vida útil mais longa para os produtos na prateleira.

Mauro Zafalon /Folhapress

Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pela Folha, soma 40 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

Fonte : Folha