Vaivém – Exportação de frango do Brasil avança, mas fantasma da Carne Fraca persiste

CHARQUEADA, SP, BRASIL, 11-01-2007: Galinhas são vistas em granja na cidade de Charqueada (SP). O frango da empresa Korin é pioneiro na criação de frangos conhecidos como alternativos ou verdes, sem uso de antibióticos, anticoccidianos, promotores de crescimento e quimioterápicos. (Foto: Rodrigo Paiva/Folhapress)

Galinhas em granja na cidade de Charqueada (SP)

 

A produção mundial de carne de frango deverá atingir 91 milhões de toneladas em 2018, com aumento de 1,2% em relação ao volume previsto para este ano.

O cenário internacional favorecerá o Brasil, que é o principal fornecedor mundial de carne de frango.

Parte desse aumento virá do país, que somará produção de 13,6 milhões de toneladas, 2,3% mais do que o montante estimado para 2017.

Os dados são do Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).
FANTASMA

O grande trunfo do país são as suas condições sanitárias. Mesmo assim, o fantasma da Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal em março deste ano, ainda paira sobre a confiabilidade do produto nacional no mercado externo.

A sanidade da carne faz com que o Brasil permaneça no topo da procura internacional, já que vários outros países têm sérios problemas sanitários.

Embora a qualidade do produto brasileiro o mantenha competitivo, o sistema oficial de vigilância sanitária ficou ainda mais desacreditado depois da operação policial.

Sem melhorar o controle da qualidade, o Brasil corre o risco de integrar a lista dos países problemáticos.
CHINA

Os chineses, cujo consumo vem subindo ano a ano, vão registrar queda de produção pelo terceiro ano consecutivo e ficar mais dependentes do mercado externo.

Já a Índia, a União Europeia e os Estados Unidos devem elevar a produção.

O consumo interno brasileiro deverá atingir 9,4 milhões de toneladas, e as exportações, 4,2 milhões, na avaliação do Usda.

Francisco Turra, presidente da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal), discorda desses números. Ele acredita que o consumo interno brasileiro seja menor do que o previsto pelo Usda, mas que as exportações vão ser maiores.

O consumo nacional deverá ficar em 9 milhões de toneladas, e as exportações deverão subir para 4,5 milhões no próximo ano, acredita ele.

Os EUA, devido a barreiras tarifárias e a um surto de gripe aviária no país, vêm perdendo o mercado chinês desde 2010 e deixando espaço para o Brasil.

Naquele ano, os brasileiros forneciam 40% da carne de frango importada pelos chineses, taxa que subiu para 90% em 2016.

Os americanos lideram a produção mundial de carne de frango e deverão chegar ao recorde de 19 milhões de toneladas no próximo.

Mesmo ausentes da China, os EUA esperam exportar 3,2 milhões de toneladas no próximo ano, 3% mais do que neste ano.

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Em queda – A União Europeia também divulgou dados de importação e exportação de carne de frango deste ano. As importações somaram 552,4 mil toneladas de janeiro a agosto, 11% menos do que em igual período do ano passado.

Líder – O maior volume de carne importada pela União Europeia saiu do Brasil. Os europeus adquiriram 283 mil toneladas no país, 51% do total comprado por eles no período.

Exportações – As vendas externas dos 28 países que compõem o bloco atingiram 1,1 milhão de toneladas até agosto, 2% mais do que em 2016. Ao adquirir 94 mil toneladas, Hong Kong liderou as compras.

Café – Pedro Lima, presidente da 3corações, uma das principais empresas do setor de café, acredita que o setor tem de pensar na renda dos produtores, que fornecem a matéria-prima essencial para a indústria de torrefação.

De olho – O executivo da 3corações acredita que a Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café) deveria criar um departamento para avaliar essa relação com os produtores, de olho principalmente na questão de renda.

 

Rodrigo Paiva /Folhapress

Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pela Folha, soma 40 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

Fonte : Folha