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Vaivém – Estoque de suco cai, mas exportação do produto freia

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Uma boa notícia para o setor de citricultura: os estoques mundiais de suco em poder das empresas brasileiras caem para 292 mil toneladas em junho, quando terminar a safra 2015/16.

O recuo para esse volume dá novo equilíbrio ao mercado, perdido após safras recordes que elevaram os estoques para até 766 mil toneladas em fim de safra, como o ocorrido em junho de 2013.

Mas o setor também poderá ter uma má notícia nos próximos meses.

A previsão é que o Brasil poderá exportar um volume inferior a 1 milhão de toneladas de suco concentrado nesta safra. Se isso ocorrer, será o menor volume exportado em 24 safras.

Além disso, após um verão de boas vendas na Europa, a demanda da região perde ritmo no inverno deste ano.

Desde o período 1992/93, quando o país atingiu a marca de 1 milhão de toneladas de exportação por ano, não houve um volume inferior a esse patamar, conforme dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior).

O melhor período foi o de 2003/4 a 2006/7, quando o país exportou uma média anual de 1,39 milhão de toneladas de suco concentrado.

Ibiapaba Netto, diretor-executivo da CitrusBR, diz que é o fim dos estoques elevados e a volta de um ponto de equilíbrio. "É um alívio, mas não é motivo para euforia, devido aos aspectos [incertos] da demanda."

Os estoques baixos atuais são mais motivos de conjuntura do que de mérito do setor, segundo ele.

Um dos motivos da oferta menor nesta safra foi o baixo rendimento da laranja, devido às condições climáticas adversas.

Na safra anterior, a indústria produzia uma tonelada de suco com 241 caixas de laranja de 40,8 quilos. Nesta, são necessárias 299 caixas, o pior rendimento industrial até então.

Assim como ocorre com todos os demais setores da agropecuária, o câmbio favorece o setor.

O valor médio da tonelada de suco exportado pelo país está em US$ 754 neste mês. Em igual período do ano passado, era de US$ 1.008, conforme dados da Secex. A queda de preços é compensada, em parte, pela elevação do dólar.

Do lado do produtor, principalmente os que têm contratos em dólar, a remuneração também sobe em reais.

Os negócios giram por volta de R$ 17 a R$ 20 por caixa, dependendo do período de entrega da fruta.

CARNE TEM RITMO FORTE DE VENDA NO MÊS

O número de frigoríficos brasileiros aptos a exportar carnes vem aumentando. Essas liberações para exportação ocorrem até em países que se constituem novos mercados.

A ampliação do potencial exportável das indústrias brasileiras, além da queda de preços das proteínas no mercado internacional, dá novo impulso às vendas externas brasileiras nesse setor.

Neste mês, as vendas externas de carne suína crescem 142% em relação às ocorridas em fevereiro de 2015.

Nesse mesmo período, as bovinas subiram 52%, enquanto as de frango –líder no setor– têm evolução de 14%, conforme dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior).

Já os preços mantêm a descendência neste mês, em relação a fevereiro de 2015. A tonelada de carne suína caiu 33%; a de frango, 16%: e a de boi ficou 7% mais barata.

Ritmo acelerado
O plantio de algodão ganhou corpo em Mato Grosso e atinge 93% dos 576 mil hectares destinados ao produto, segundo o Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária).

Avanço
A área a ser semeada deverá superar em 2% a da safra anterior, e a produção de algodão em pluma está estimada em 941 mil toneladas pelo Imea.

Milho
As exportações estão aceleradas neste mês e, pelos dados do Mdic (Ministério do Desenvolvimento), poderão atingir 7 milhões de toneladas.

Soja
A colheita já atinge média de 16% neste ano, acima dos 11% de há um ano. A média das últimas cinco safras é de 13%, segundo a Safras & Mercado.

Bioinseticida
A Embrapa realiza os últimos testes toxicológicos da nova geração de um bioinseticida capaz de matar as larvas do mosquito Aedes aegypti, transmissor de dengue, febre chikungunya e zika.

Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pelaFolha, soma mais de 38 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

Fonte : Folha