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Vaivém: Estoque de grãos aumenta, apesar da seca

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Apesar da seca e da falta de água em várias regiões, o país termina a safra 2014/15 com estoque de grãos acima do dos anos anteriores.

O feijão, no entanto, um produto do dia a dia do consumidor brasileiro e com peso na inflação, vai ter um volume inferior.

Com uma média de 204 mil toneladas de estoques nas safras 2012/13 e 2013/14, o volume final da leguminosa recuará para 159 mil toneladas nesta safra 2014/15. Os dados são da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).

Esses volumes finais de safra, também chamados de estoques de passagem, registram alguns números preocupantes neste ano. É o caso do milho, cujo volume será de 18,7 milhões de toneladas.

Editoria de arte/Folhapress

As duas últimas safras de milho -2012/13 e 2013/14- registraram produção próxima de 80 milhões de toneladas por ano. A produção deste ano deverá ser um pouco inferior, mas ainda bem acima da média do país no início desta década.

O estoque do milho cresce porque, além da produção maior, as exportações perderam ritmo. Essa queda se deve à volta dos Estados Unidos ao mercado internacional.

A seca naquele país tinha aberto um brecha para as vendas externas brasileiras de milho a partir de 2012.

O estoque de trigo, bastante complicado há dois anos, volta a se recompor parcialmente. A perspectiva de safra recorde neste ano e importações próximas de 6 milhões de toneladas aumentaram a oferta interna para 14 milhões de toneladas.

Outro produto essencial ao consumidor, o arroz, volta a ter estoques mais confortáveis. Ao somar 1,35 milhão de toneladas, o cereal registra o maior patamar de estoques nas últimas três safras.

Essa recomposição de estoques, principalmente dos produtos essenciais, como arroz e trigo, pressiona menos os preços nos supermercados, mas interfere na renda dos produtores.

A oferta interna de trigo, arroz e milho cresceu exatamente porque os preços estavam favoráveis aos produtores. Uma eventual queda desses preços, devido à melhor oferta, poderá resultar em uma redução de área e, mais uma vez, preços maiores.

A safra de grãos de 2014/15 ficará entre 194 milhões e 200 milhões de toneladas, segundo estimativas da Conab.

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Cautela 1 A boa notícia é que a Rússia mantém firme o propósito de comprar carne suína brasileira. No mês passado, os russos ficaram com 47% desse tipo de carne exportada pelo país. Em relação às receitas, a Rússia participou com 61% do total recebido pelos exportadores.

Cautela 2 O lado ruim é que os russos têm um histórico de altos e baixos nas compras de proteínas do Brasil. Diante desse cenário, o Brasil precisa de um pouco de cautela, diz Francisco Turra, da Abpa (associação dos produtores e exportadores).

Os números A exportação brasileira de carne suína somou 51 mil toneladas no mês passado, com receitas de US$ 198 milhões. Apesar de queda de 2% no volume, ante outubro de 2013, as receitas cresceram 39%, devido ao aumento de 42% nos preços internacionais.

No bolso A alta externa influencia os preços internos e faz o consumidor pagar 7% mais pela carne suína em São Paulo nos últimos 30 dias, aponta pesquisa da Fipe.

Menos açúcar A Unica informou nesta terça-feira (11) que as usinas produziram 17% menos açúcar na segunda quinzena de outubro do que em igual período de 2013. No acumulado do ano, a queda é de 1%.

Preços caem Diante desses números negativos no principal mercado produtor mundial de açúcar, os preços do primeiro contrato subiram 3,6% na Bolsa de commodities de Nova York.

Fonte: Folha

12/11/2014 02h00