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vaivém – Estoque brasileiro de suco sobe 41%, mas ainda preocupa mercado

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A preocupação do setor é com a safra 2018/19 de laranja, que fica abaixo da atual

  • Linha de produção de suco da empresa Life Sucos
  • Linha de produção de suco da empresa Life Sucos – Silva Junior/Folhapress

 

Os números de estoque de suco de laranja de 2017 indicam um bom desempenho do setor, em relação a 2016. Escondem, porém, um possível cenário de oferta reduzida na próxima safra.

Na avaliação de Ibiapaba Netto, diretor-executivo da CitrusBr (Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos), “há uma recuperação, mas ela não garante o futuro”.

Os estoques em poder dos associados da CitrusBr espalhados pelo mundo subiram para 703 mil toneladas no final de dezembro, 41% mais do que em igual período do ano anterior.

A indústria deve terminar a safra com um crescimento ainda maior. Segundo a entidade, o volume fica em 254 mil toneladas no final de junho próximo, 137% mais do que no mesmo mês de 2017.

Essa comparação está sendo feita, no entanto, com base nos piores estoques que a indústria já apresentou em final de safra. Se confirmado, o volume do final de junho próximo será suficiente para 12 semanas de consumo. Em 2013, garantiam 35 semanas, segundo Netto.

A preocupação fica com a próxima safra, que poderá ser bem menor do que a atual. O mercado projeta um volume de 270 milhões a 290 milhões de caixas de 40,8 quilos. A safra atual está estimada em 385 milhões de caixas.

A primeira estimativa da safra brasileira para 2018/19 é do Usda (Departamento de Agricultura dos Estados), que prevê um volume superior a 300 milhões de caixas. O mercado está de olho, no entanto, na estimativa do Fundecitrus, que será divulgada em maio.

Se a próxima safra vier abaixo de 300 milhões de caixas, volta o risco de o estoque repetir o baixo patamar de 2017. Nesse caso, haverá uma intensa disputa pela laranja por parte das indústrias, elevando os preços pagos ao produtor.

Se o Fundecitrus confirmar uma produção superior a 300 milhões de caixas, a disputa pelo produto será menor. Em 2016, com a oferta menor de laranja, a caixa chegou a R$ 26. Em 2017, os preços estiveram próximos de R$ 20.

O mercado aposta em uma safra menor em 2018/19. A dúvida para o produtor e para a indústria é o quanto ela  será menor. Essa incerteza dificulta a antecipação de compra pelas indústrias e de venda pelos produtores.

Os norte-americanos, com boa participação na produção e no consumo mundiais, não devem cooperar para uma elevação da oferta de suco. Doenças e efeitos climáticos já trouxeram a produção de laranja do país para apenas um terço do que era em 1997/98.

Um sinal positivo para o mercado foi a recente alta no consumo de suco de laranja no país. Uma onda de gripe provocou um aumento de 1% na procura do produto no mercado dos EUA nos últimos 12 meses até janeiro.

É a primeira vez que o consumo sobe desde 2008. Será que a alta persiste quando a gripe passar?

SOJA

A colheita ganha ritmo em Mato Grosso, mas o clima interfere em algumas regiões do Estado, segundo informações do Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária).

RECEITAS

Produtores que já colheram a soja verificam problemas na qualidade dos grãos. A preocupação é que há indicações de mais chuva nas próximas semanas.

VENDAS

A comercialização da safra 2016/17 está praticamente encerrada no Estado. A de 2017/18, porém, avança pouco. Está em 48%, bem abaixo dos 66% de igual período anterior.

RECORDE

Mato Grosso foi responsável por 85% do milho exportado pelo Brasil em janeiro. Saíram 2,6 milhões de toneladas do Estado no período, o recorde para um início do ano.

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pela Folha, soma 40 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

Fonte : Folha